Brasília - Na primeira reunião com os partidos aliados neste ano, a presidente Dilma Rousseff disse que as eleições de outubro não podem dividir a base do governo e que a máquina pública não será usada para ambições eleitorais, e se animou com uma proposta de estabelecer uma meta de investimento público.
A presidente avisou aos partidos aliados que não fará campanha eleitoral para nenhum candidato. Perante os líderes e presidentes dos partidos na reunião do Conselho Político, Dilma reconheceu que havia disputa entre os partidos da base em muitos municípios e que, portanto, não subirá em palanque em nenhum Estado.
A oito meses do pleito municipal que poderá colocar em lados opostos diversos partidos que lhe dão sustentação, Dilma afirmou a seus aliados que o governo não será usado para dar impulso a candidaturas, segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi.
Parte da primeira reunião do grupo em 2
12 focou no projeto de Dilma de instituir monitoramento em tempo real das ações do governo, acompanhamento de gestão e melhoria dos serviços prestados à população, disse a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
Como habitual, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um panorama do cenário econômico doméstico e internacional. Disse que o contigenciamento do Orçamento para este ano ainda não está pronto e que o investimento do governo irá crescer mais de 1
% neste ano.
O presidente do PP, Fernando Dornelles (RJ), sugeriu à Dilma a criação de uma meta de investimentos ao governo, semelhante às de inflação e superávit já existentes, disse uma fonte que participou da reunião, sob condição de anonimato. A proposta agradou à presidente, que pediu a Mantega estudos sobre a ideia.
Ideli afirmou que a agenda do governo no Congresso será mais intensa no primeiro semestre, devido às eleições de outubro, que devem esvaziar o Legislativo. A ministra definiu como prioridades a criação do fundo dos servidores públicos, o Funpresp, que deverá ser votado depois do Carnaval, a Lei Geral da Copa, a última votação do texto que reforma o Código Florestal e o fim do incentivo às importações por alguns portos brasileiros. Perguntada se haveria uma maior liberação de emendas parlamentares neste ano, uma das principais reclamações de congressistas em 2
11, a ministra não respondeu.
Alguns integrantes pressionaram o governo para que tome uma posição clara quanto à divisão dos royalties do petróleo. Dilma reiterou seu compromisso com os contratos em vigor e que eles serão respeitados.
Sobre o novo código de mineração, Ideli disse que o governo está “terminando o projeto” e em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3
, que estabelece um piso nacional a policiais e bombeiros, a ministra declarou que é um debate “a ser aprofundado”. “Há uma preocupação, obviamente, de todos nós, com esta situação. Agora, fica bastante claro que isso não se restringe a uma votação de uma PEC, não se restringe ao debate do direito de greve”, disse.
Oficiais de Bahia e Rio de Janeiro realizaram greves nas últimas semanas exigindo melhorias salariais, defendendo a aprovação da PEC que, se aprovada, teria efeitos profundos nas contas de diversos Estados.
O PR, que compunha a base do governo até a demissão do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, em julho, não foi representado.