Um grande incêndio se espalhou por uma prisão superlotada em Honduras e matou mais de 35
detentos, muitos deles retidos e gritando de dentro de suas celas.
A Procuradoria Geral informou que 359 pessoas morreram no fogo que começou na noite de terça-feira na prisão de Comayagua, cerca de 75 quilômetros ao norte da capital, Tegucigalpa. A instalação penitenciária não era de máxima segurança e alojava mais de 8
prisioneiros, quase o dobro de sua capacidade. Muitos dos detentos cumpriam penas relacionadas com o crime organizado.
O fogo teria começado depois que um preso ateou fogo a um colchão, segundo a governadora da província de Comayagua, Paola Castro, quem indicou que outro prisioneiro telefonou para ela angustiado, pedindo que avisasse os bombeiros.
"Ele e seus amigos escaparam da morte ao romper o teto do módulo. Ele me ligou pedindo ajuda para que os bombeiros fossem enviados e para que as celas fossem abertas, caso contrário todos morreriam devido ao fogo", disse Paola em entrevista por telefone. Também foi levada em conta a hipótese de um curto-circuito, mas o gerente regional da estatal Empresa Nacional de Energía Eléctrica (ENEE), Fidel Torres, afirmou que o incêndio não poderia ter sua origem nos cabos de baixa tensão no interior do presídio porque estavam em bom estado.
Depois que o fogo foi controlado na madrugada de quarta-feira, muitos corpos carbonizados foram encontrados no interior das celas, a maioria deles irreconhecível, segundo as autoridades.
Autoridades carcerárias suspensas
Em meio à confusão sobre o número de mortos, a mídia local indicou que os mortos e desaparecidos somavam 4
2 pessoas. Os desaparecidos seriam presos que escaparam durante o incêndio.
O presidente de Honduras, Porfirio Lobo, disse em rede nacional que havia demitido de seus cargos os funcionários responsáveis pela prisão de Comayagua e a administração de prisões de todo o país para que a investigação seja transparente.
Centenas de pessoas esperavam desesperadas para conseguir informações sobre seus familiares presos, horas depois de ter lançado pedras contra policiais no lado de fora. Os agentes responderam com bombas de gás lacrimogêneo.
Em maio de 2
4 numa prisão de San Pedro Sula, a segunda maior cidade de Honduras, morreram 1
7 presos, e em 2
3 faleceram 78 pessoas numa prisão da cidade de La Ceiba.
Honduras tem 12.5
presos, embora suas penitenciárias tenham sido construídas com uma capacidade para 6.
pessoas.
O diretor para a América da organização Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, disse que Honduras deve revisar com urgência seu sistema penitenciário.
"As trágicas mortes de centenas de presos, um dos piores incidentes deste tipo na região, é a última instância resultado da superlotação e das pobres condições da prisão, dois velhos problemas em Honduras", disse Vivanco em comunicado.
Autoridades de Segurança disseram que os 475 sobreviventes que ainda estão na prisão serão levados em breve para uma unidade militar perto do local.