A travesti Evelyn (Erik Ribeiro, nome de batismo), 19 anos, está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. O motivo, segundo a unidade hospitalar, seria um traumatismo craniano depois das agressões sofridas no final da semana passada. Familiares e membros da Associação Bauru pela Diversidade (ABD) estão inconformados com o fato de ela ter recebido alta, mesmo com o problema, no dia em que foi resgatada.
Após receber socorro e atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC), ela foi liberada para casa depois de 12 horas em observação - e, antes, 3
horas em matagal.
Entretanto, mesmo em sua residência, os problemas continuaram. Desde o momento em que foi resgatada, a travesti afirma não sentir as pernas. Na ocasião, os médicos alegaram que todos os exames foram feitos e que a dormência era algo psicológico, por conta do trauma sofrido.
A mãe de Evelyn, Simone Ribeiro, entretanto, contesta a versão. Segundo ela, a filha somente piorou desde que foi liberada. “Ela começou a ficar com o braço e o olho dormente. Tudo no lado esquerdo”, conta.
Pela piora no quadro, na manhã de ontem, Evelyn foi até o PSC. Somente durante a tarde, ela passou por exames e foi encaminhada, de acordo com a família, com urgência para a UTI do HB.
Ao Jornal da Cidade, o serviço de informações do hospital comunicou à noite que o motivo seria um traumatismo craniano. Quando foi resgatada, a travesti contou à reportagem que o agressor a atingiu na cabeça com três blocos de concreto.
Segundo a unidade hospitalar, só haverá mais informações sobre o estado de Evelyn e dos procedimentos médicos a serem tomados durante o dia de hoje.
Porém, a família e a ABD dizem ter recebido outra informação. No final da noite de ontem, segundo a mãe da travesti, enfermeiros haviam dito que ela estava apenas com um “vazamento”. “Eles disseram que ela não precisaria passar por uma cirurgia”, conta Simone Ribeiro.
Os familiares conseguiram ver Evelyn na UTI ontem. Ela, entretanto, não foi informada do seu estado.
“Não pudemos falar nem que ela estava na UTI. Ela está achando que ia ser liberada, mas vai ter que passar a noite no hospital mesmo. Infelizmente, este drama não acaba”, completa a mãe da jovem.
Violência urbana
Evelyn foi espancada e esfaqueada na madrugada de quinta-feira. Somente depois de 3
horas, foi localizada jogada em matagal no Parque Viação B. No mesmo dia, a polícia prendeu o comerciário Carlos Augusto Jeronymo Pinto, de 3
anos. Ele foi reconhecido pela vítima e, com a prisão temporária decretada, acabou recolhido à Cadeia Pública de Duartina.
Associação questiona possível falha
Na noite de ontem, após saberem que Evelyn tinha sido internada às pressas na Unidade de Terapia Intensiva do HB, tanto familiares da jovem quanto membros da Associação Bauru pela Diversidade (ABD) questionaram o fato de ela ter sido liberada na semana passada.
“Se a Evelyn ficar com sequela, quem será responsabilizado?”, questiona Markinhos de Souza, presidente da ABD. Segundo ele, na sexta-feira, quando foi resgatada, a travesti ficou internada no Pronto-Socorro Central (PSC) das 11h da manhã até às 23h da noite do mesmo dia.
“Desde que foi liberada até hoje é muito tempo. É essa nossa preocupação e nossa inconformidade. Ela não recebeu receita de nenhum remédio”, destaca Markinhos.
Simone Ribeiro, mãe de Evelyn, concorda. “Ela não devia ter sido liberada assim”.
A assessoria da prefeitura foi acionada por volta das 19h de ontem por gerir o PS. Por conta do adiantado da hora, afirmou que o setor administrativo da unidade hospitalar já estava fechado e que não seria possível informar o que foi feito com a paciente. A assessoria prometeu que, hoje, o prontuário de Evelyn seria verificado.