O modelo de precificação de longo prazo para a comercialização de minério de ferro só pautou 20 por cento das vendas da Vale no quarto trimestre de 2011, revelou nesta quinta-feira um executivo da mineradora.
"Com relação a preços, 80 por cento das nossas vendas estão se referindo ao preço real do trimestre, quer dizer, seja o spot diário ou seja a média do mês ou a média do trimestre, dependendo da negociação que é feita com os clientes. E 20 por cento se mantém na fórmula anterior", afirmou o diretor de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, em teleconferência para analistas de mercado.
A troca do modelo que mantinha estabilidade no preços por formas de negociação que provilegiam o mercado spot foi um dos fatores que contrubuíram para reduzir o lucro da empresa no final do ano passado, conforme apontaram analistas de mercado.
Mas o executivo ponderou que o impacto negativo da mudança de precificação poderá ser revertida.
"Na medida em que o preço se estabiliza num determinado patamar, a tendência é de os dois preços convergirem e não tem muita diferença entre os dois. No primeiro momento, é que se tem impacto entre os dois", acrescentou.
A Vale registrou lucro líquido de 4,672 bilhões de dólares no quarto trimestre do ano passado, num recuo de 21 por cento na comparação com o mesmo período de 2010, mas o resultado foi suficiente para fazer a mineradora fechar 2011 com um novo recorde anual, de 22,88 bilhões de dólares de lucro. O balanço foi divulgado na noite de quarta-feira.
O lucro da maior produtora de minério de ferro do mundo ficou exatamente dentro da média de projeções de analistas consultados pela Reuters, que já esperavam por um resultado mais fraco no último trimestre do ano por causa de menores preços do principal produto da companhia.