Bairros

Faltou água? A ?solução? é viajar

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

A engenheira civil Ana Lúcia Bueno criou um plano “B” para não se irritar com a torneira seca em Bauru durante o verão, como vem sendo comum em vários bairros. Ela resolveu ficar o maior período de tempo longe da cidade. “É o jeito que encontrei se eu quiser tomar banho”, desabafa. 

 

Sua primeira temporada longe de Bauru, neste início de ano, foi de 12 de janeiro a 1 de fevereiro. Antes de viajar, enfrentou uma semana sem água em sua residência, na quadra 19 da Gustavo Maciel, região central. Retornou, mas a água ficou longe de sua casa. A solução será se abrigar em outro município agendando nova viagem. 

 

Agora, a engenheira civil pretende ficar mais tempo longe da escassez d’água a partir do dia 17. Ana Lúcia não aceita encher recipientes para ter acesso à água. “Eu me nego porque tem uma solução”, define a engenheira civil. 

 

A empregada de Ana Lúcia, Vera Alice Bastos, não tem água em sua residência na Vila Bom Jesus, bairro nas proximidades da avenida Nações Norte. Ela chega para trabalhar no Centro de Bauru e encontra a mesma situação. 

 

 

 

Verão seco

 

Já a população do Santa Cândida passou este  final de semana sem água nas caixas. Regiane Marques, moradora do bairro há 13 anos, comenta que o período de verão dos últimos anos é sempre de torneira seca. “Minha família teve que passar o dia fora de casa, por não termos condições de ficar sem água. Os reservatórios secaram, não tinha como nem ir ao banheiro”, desabafa.  

 

Ela comenta que o fornecimento foi interrompido na sexta-feira, às 13h15, e só foi retomado na noite de sábado. Regiane conta que todas as residências ficaram com as caixas secas e a autarquia teria enviado socorro de caminhão-pipa, porém insuficiente para atender a totalidade de moradias do Santa Cândida. “Falaram que o reservatório tinha secado por conta do calor. Mas falta água direto aqui”, ressalta. 

 

No bairro vizinho, na Vila Dutra, Elenice Gregori Polato comenta que não se pode contar com água em casa porque a torneira seca é diária. Ela mora na Dutra há 11 anos e também convive com o verão sem água. Neste final de semana, ela diz que o abastecimento foi retomado somente na madrugado de domingo. 

 

O DAE afirma agir contra o problema crônico que atinge a cidade, mas reconhece suas limitações. O diretor da Divisão de Produção e Reservação, Igor Fournier, diz: o que era “sensível” virou “crise aguda” e não há como “dar um plus” na produção diante do calor e do maior consumo. Ele acrescenta que a captação do rio Batalha e os poços trabalham em sua máxima condição. 

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