Nos últimos anos, as ditas propriedades medicinais ou de prevenção a algumas doenças, supostamente trazidas pelo consumo da pimenta, ganharam mais projeção.
Tida por alguns até como “elixir” para emagrecer, além de oferecer vitaminas para o corpo, os argumentos estão entre os maiores fatores de “propaganda” para o condimento, que, segundo médicos e nutricionistas, tem sim algum poder preventivo e até mesmo curativo.
Contudo, ela também não faz “milagres”, advertem especialistas. Uma das curiosidades é que, ao contrário do que popularmente é muito difundido, elas também não causam determinado tipo de doença, como úlcera ou hemorroidas. “A pimenta, na realidade, agride quem já tem problemas, entre eles a gastrite e a hemorroida”, diferencia o gastroenterologista Marcelo Angeloti.
O especialista enfatiza que pessoas em tratamento de doenças gastrointestinais devem evitar o consumo. Do contrário, a pimenta não é agente causador desses problemas.
O condimento, compara o médico, tem efeito potencializador, para pessoas com a doença, da mesma forma com que temperos industrializados consumidos por anos a fio, agredindo a mucosa intestinal. “Se a pessoa não tem nenhum problema, pode comer a pimenta, sem exagerar é claro.
Nem mesmo a famigerada pimenta-do-reino, observa ele, é causadora de doenças. O que ocorre, explica o médico, é o surgimento de problemas, principalmente, ocasionados pela bactéria ‘H pylori”.
São os portadores desse micro-organismo, que aflige a mucosa do estômago, que desenvolvem doenças após o consumo, em muitos casos exagerado, dos condimentos picantes, incluindo a pimenta.
De acordo com o médico, a bactéria aflige mais da metade da população mundial (daí, segundo ele, a ligação direta entre a pimenta e as doenças). Entretanto, frisa o gastroenterologista, o primeiro lugar no ranking de agente causador de problemas estomacais está o consumo de medicamentos anti-inflamatórios. “Pimenta não causa úlcera ou gastrite. Vai irritar o estômago que já está ‘baleado’”, diferencia.
Acessório em dieta
A suposta propriedade “emagrecedora” da pimenta também é controversa. Nutricionista e chef de cozinha, Adriane Gasparino Martinez dos Santos, salienta que o fruto pode sim contribuir para a perda de peso. Contudo, apenas como forma coadjuvante numa dieta com esse fim.
Alimento termogênico (aumenta a temperatura corporal “forçando” o organismo a equilibrar o calor interno), a pimenta aceleraria o metabolismo basal, propiciando a queima mais rápida de calorias. Contudo, para que a pimenta, de fato, fosse responsável direto pelo emagrecimento, a quantidade ingerida teria de ser de quilos, totalmente fora de cogitação.
“O emagrecimento é fruto de atividade física e dieta alimentar”, desmitifica. “A pimenta pode ser um auxiliar, tem papel coadjuvante”, diferencia a nutricionista.
Ela assegura que a pimenta tem sim vitaminas que podem ajudar na prevenção de doenças. “Ela contem algumas vitaminas como a C e A. Pode ser considerada um antioxidante e cicatrizante”, detalha. “O uso de uma pequena quantidade realmente tem efeito antioxidante”, reforça.
Alguns estudos, cita Adriane, também ligam o consumo à liberação de endorfina (substância química liberada pelo cérebro na corrente sanguínea que, entre outros benefícios, proporciona a sensação de bem-estar). Isso ocorreria, observa ela, que é professora na Universidade do Sagrado Coração (USC), porque o corpo, na tentativa de “combater” o ardor na boca (como se estivesse em chamas) liberaria a substância, como forma de alívio físico.
No entanto, essas pesquisas, pondera, ainda não são consensuais.