Bairros

Folia do Momo em família

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Quando se fala em Carnaval, é comum vir à mente o belo desfile das escolas de samba, que é realizado em dois dias no Sambódromo Municipal de Bauru, com direito a muito brilho, plumas, pompa e circunstância. Contudo, pouca gente se dá conta de que para que a Festa do Momo seja colocada em prática, antes, é preciso muito trabalho e meses de preparação. 

 

E é exatamente durante os meses que antecedem o Carnaval que é possível encontrar nos barracões espalhados pelos bairros de Bauru uma das características mais marcantes da folia: o envolvimento e a união de famílias inteiras em busca de um objetivo comum, a vitória da escola de coração.

 

São pais, filhos, avós, netos, sobrinhos, cunhados, noras, genros, sogras, além de todos os outros substantivos que podem ser utilizados para designar parentesco entre pessoas, trabalhando dia e noite, por amor, sem receber salário ou gratificação em troca.

 

“Fazemos por paixão e por prazer. Eu, por exemplo, fico aqui parte do dia e não hesito caso haja necessidade de virar a madrugada”, justifica Geisiane Carvalho Maciel, 32 anos, que ajuda nos preparativos da Escola de Samba Azulão do Morro.

 

Além dela, os três filhos e o marido também colaboram na confecção de fantasias, na montagem dos carros alegóricos e na preparação dos instrumentos da bateria. Ela chegou até a escola no ano passado, quando escutou os batuques dos ensaios e viu nisso uma oportunidade para se curar de uma depressão e ainda unir a família.

 

“No começo, eu pedia para meu marido me trazer. Ele me atendia, mas ficava emburrado. Com o tempo, todo mundo caiu no samba”, conta, orgulhosa.

 

Outra família que se engajou aos poucos na Folia do Momo foi a de Antônio Carlos Oliveira. A primeira a participar de um desfile da Escola de Samba Acadêmicos da Cartola foi Iraci Bianchi, em 1986. No ano seguinte, os outros seis irmãos caíram na folia e, desde então, em época de Carnaval, o barracão da escola é a segunda casa da família, que atualmente conta com 27 integrantes.

 

Reunir toda a família para ajudar nos preparativos do Carnaval também é a especialidade de Priscila Roberta Silva de Lima, 29 anos, e seu marido Fernando, mais conhecido como mestre Cocão.

 

O casal sempre foi apaixonado por samba, mas foi Cocão quem convenceu Priscila a participar do Carnaval da Tradição da Zona Leste assim que eles começaram a namorar. Hoje, com família constituída, eles arrebanharam outras 11 pessoas para ajudar nos preparativos e participar do desfile, incluindo o pequeno João Vitor, de 8 anos, filho do casal.

 

“É uma delícia. Cada um ajuda da forma como pode. Além disso, com a família reunida, é possível estender o Carnaval para o ano todo. Nos outros meses, fazemos pasteladas, feijoadas, damos aulas de música e tudo mais o que for necessário para arrecadar verbas e colocar a Tradição na avenida”, afirma Priscila Roberta.

 

 

Família de tirar a cartola

 

Sete irmãos, todos com seus filhos e alguns com seus netos. Ao todo, 27 pessoas. Esse é o contingente convocado dentro da família Oliveira para ajudar na preparação e participar do desfile da Escola de Samba Acadêmicos da Cartola.

 

Quando a reportagem do JC Bairros chegou no barracão da escola, alguns ajudavam na confecção de fantasias, outros ajeitavam detalhes dos carros alegóricos, as meninas preparavam-se para o ensaio e as crianças garantiam a farra antecipada, correndo de um lado para o outro.

 

“É nossa segunda casa. De dia, trabalhamos. Depois, vimos para o barracão ajudar no que for preciso”, explica Antônio Carlos de Oliveira, 46 anos, um dos sete irmãos que deram início à tradição.

 

É fato que a paixão pelo samba está no sangue, mas uma união tão numerosa quanto esta em prol de uma escola só foi possível por conta de uma iniciativa tomada por uma das irmãs da família, Iraci Bianchi, em 1986.

 

“Fiquei sabendo da existência da Cartola e decidi participar do desfile. Naquele ano, só eu saí. Meus irmãos acompanharam o desfile. No ano seguinte, estava todo mundo junto”, conta Iraci.

 

Com o passar dos anos, a família e a união em torno da Cartola só aumentou. Neste Carnaval, metade de uma das alas da escola será só de integrantes da família.

 

“Isso que tem gente que vai sair como destaque de outros carros e alguns na bateria”, ressalta Antônio Carlos, que se orgulha de ver a família reunida para a festa.

 

“Tá vendo aquela pequenininha ali? Futura rainha do Carnaval”, brinca, apontando para a filha Ana Vitória, 4 anos.

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