Rio - Sete escolas de samba desfilaram de ontem até a manhã de hoje pelo Grupo Especial do Rio, das 13 que disputam o título de campeã do Carnaval. As apresentações acontecem no sambódromo da Marquês de Sapucaí, e começaram às 21h.
A Renascer de Jacarepaguá foi a primeira a desfilar. Campeã do grupo de Acesso em 2
11, a escola promete “colorir” a Sapucaí este ano em homenagem ao artista plástico pernambucano Romero Britto.
“A gente vai dar vida à obra de Romero com muito movimento e colorido. Para driblar a poluição visual, que foi a nossa maior preocupação, vamos seguir uma ordem cromática para que tudo funcione bem”, disse o carnavalesco da escola Edson Pereira.
Em seguida a Portela passou pela Sapucaí, com um enredo sobre a cantora Clara Nunes, que completaria 7
anos em 2
12.
O carnavalesco Paulo Menezes, que estreou na agremiação este ano, investe em festas típicas da Bahia como a lavagem do Bonfim e de Bom Jesus dos Navegadores. Clara Nunes sempre vendeu a imagem do candomblé baiano para o mundo.
A Imperatriz Leopoldinense foi a terceira a desfilar, com um enredo sobre Jorge Amado. Personagens como Gabriela, Dona Flor e Perpétua estarão representados.
“Quero destacar o tema porque Jorge Amado marcou muito a minha vida desde a adolescência. Fico emocionado em homenagear esse grande escritor que é uma fonte de cultura para o mundo todo”, conta o carnavalesco Max Lopes.
Já a Mocidade Independente, a quarta a entrar na Sapucaí, homenageou o pintor Cândido Portinari com um desfile de fantasias coloridas pintadas com giz de cera, no sambódromo carioca.
“A filosofia do enredo teve como base o símbolo da Mocidade: uma estrela. Quando jovem, Portinari pintou estrelas no teto de uma igreja no interior de São Paulo. Isso será representado na avenida”, disse o carnavalesco Alexandre Louzada.
Depois entrou na avenida a escola Porto da Pedra, que vai falar sobre o iogurte.
“Os primeiros aromas de iogurte surgiram na França e é dentro desse contexto que a gente leva a história do iogurte para a avenida”, disse o carnavalesco Jayme Cezário.
Campeã do Carnaval carioca em 2
12, a Beija-Flor apresenta na Sapucaí um enredo sobre São Luís do Maranhão. Segundo a direção da agremiação, o desfile terá cinco toneladas de búzios. As milhares de conchas serão usadas em alegorias e fantasias que retratam a escravidão. A Unidos de Vila Isabel, última a se apresentar falou sobre Angola.
Norte
Rio - Nos anos 6
, o supersticioso mundo do samba acreditava que falar sobre a Bahia dava azar, uma vez que toda escola que escolhia o tema não passava do terceiro lugar. A maldição logo caiu, e na noite de ontem a Imperatriz e a Portela iriam cantar a cultura e a religião baianas com o entusiasmo carioca misturado ao da terra dos trios elétricos.
O Nordeste passou na Marquês de Sapucaí também na Beija-Flor, que foi além: até São Luís do Maranhão de Alcione, do reggae, dos mitos e de Joãosinho Trinta, seu carnavalesco-símbolo, que morreu há dois meses.
Na noite desta segunda-feira, a viagem é pela fantasia da literatura de cordel, típica da região, tema do Salgueiro, e pela obra monumental do pernambucano Luiz Gonzaga, revista pela Unidos da Tijuca.
Para as escolas do Rio, o Nordeste é terra fértil. Desde 2
, os enredos ligados à região renderam dois campeonatos: à Imperatriz, em 2
1, que viajou a Pernambuco, e à Mangueira, no ano seguinte, que abarcou toda a “nação” nordestina. Na era sambódromo (de 1984 para cá), foram cinco. Na Sapucaí, como se sabe, tudo se recicla, e os carnavalescos não acreditam que público e jurados vão se cansar.
O Salgueiro promete um desfile arretado. Quer inovar mesmo trazendo de volta à avenida personagens que já desfilaram em outros fevereiros, como Maria Bonita - a fantasia das baianas -, Lampião - roupa dos ritmistas - e Padre Cícero. O Pavão Misterioso transformou-se em uma geringonça grandiosa. A mula sem cabeça e o lobisomem também saíram das rimas e versos para o carnaval.
“Cada um tem seu jeito de contar”, entende o carnavalesco Renato Lage, há dez anos na escola, e que quer ver sepultadas as más lembranças do ano passado (o Salgueiro fez um desfile deslumbrante, mas acabou atrasando dez minutos, por causa do tamanho exagerado dos carros alegóricos, que tiveram dificuldade para entrar no sambódromo).
Os ritmistas da Unidos da Tijuca não chegaram a investir em instrumentos emprestados do baião, mas capricharão no surdo de terceira para remeter ao som que fez a fama do rei do baião e do forró.
O sempre inovador Paulo Barros atrai as atenções para seu primeiro enredo biográfico na escola que lhe deu projeção. Mas ele fugiu do desfile cronológico, e do óbvio: vai, sim, mostrar a arte popular nordestina, com alegoria e fantasias evocando os tons de barro de Mestre Vitalino e o colorido das festas juninas e das festas dos vaqueiros. Entretanto, escolheu lembrar reis os mais diversos, de Cleópatra, Luiz XV e d. João VI ao rei do futebol, Pelé, e à rainha dos baixinhos, Xuxa. Todos participarão da coroação de Gonzagão.