Bertioga - A auxiliar de panificação Cirleide Rodrigues de Lames, 24 anos, e o caminhoneiro Gilson Almeida da Silva, 33 anos, enterraram às 10h de ontem, o corpo da filha única, Grazielly Almeida Lames, 3 anos, atropelada por um jet ski no fim da tarde de sábado em Bertioga, litoral Sul de São Paulo.
A menina brincava na areia com a mãe na praia de Guaratuba quando foi atingida na cabeça por um jet ski em alta velocidade, segundo a polícia. Testemunhas relataram que um adolescente dirigia o jet ski. O socorro teria demorado cerca de 40 minutos. A menina foi levada para o hospital municipal pelo Águia da PM, mas não resistiu. Ainda de acordo com a polícia, o adolescente que conduzia o jet ski abandonou o veículo, fugiu com o pai.
Em nota, a Capitania dos Portos de São Paulo informou que foi aberto um inquérito administrativo para investigar as responsabilidades. O adolescente vai se apresentar à polícia na quinta-feira, junto com a família e seu advogado, segundo o delegado.
Ontem, o casal deixou o Cemitério Municipal de Artur Nogueira (231 km de Bauru), Região Metropolitana de Campinas, e foi para a casa de parentes, pedindo justiça. “Acabei de enterrar minha menininha, quem sabe o que é isso? Espero que seja feita justiça e minha filha seja um anjo que impeça de acontecer isso com outras crianças”, disse a mãe, desolada. Cirleide disse que não dorme nem come direito desde o dia do acidente.
Ela e a filha estavam saindo do mar por volta de 17h do sábado, quando um jet ski pilotado por um menor de idade, segundo testemunhas, atingiu a criança. Era o primeiro dia de Grazielly em uma praia. “Ela ficou ansiosa durante semanas, perguntava onde era a praia, como era. Saímos de Artur Nogueira na sexta, chegamos tarde na casa alugada em Bertioga. No dia seguinte bem cedinho ela acordou e me pediu para ir ver o mar. Fomos e, como ela era muito branquinha, voltei pra casa e, mais tarde, levei-a de novo até a praia”, conta Cirleide. “Estávamos no mar e ela me pediu: mamãe, vamos fazer um castelinho de areia? Então estávamos saindo, indo pra areia. Estava feliz, realizada, alegre. Conhecer o mar era um sonho dela. O outro era ser bailarina, mas esse ela não vai poder realizar”, disse a mãe, chorando.
Cirleide contou não ter escutado barulho, nem ter visto o jet ski se aproximar. “Não vi nada, de repente apareceu o jet ski na minha frente, só consegui sentir aquele vento e ver minha filha jogada longe. O menino pulou do jet ski, eu só pensei em socorrer minha menininha”, disse.
‘Foi uma fatalidade’, diz advogado do garoto
O advogado da família do adolescente suspeito de dirigir o jet ski que matou uma menina de 3 anos no último sábado lamentou o acidente e disse ter sido “uma fatalidade”. O garoto irá se apresentar com os pais na próxima quinta-feira na delegacia de Bertioga, às 16h, para ser ouvido.
De acordo com o advogado, Maurimar Bosco Chiasso, o adolescente de 14 anos estava com um colega da mesma idade na praia próximo a casa do padrinho onde passava o feriado, quando, “por curiosidade”, decidiu ligar o jet ski.
Questionado sobre o motivo pelo qual o garoto e sua família não prestaram socorro à vítima, Chiasso afirmou que todos ficaram em choque.