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Público é destaque no Sambódromo

Mariana Cerigatto e Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

João Rosan

A Tradição da Zona Leste fechou o Carnaval de 2012 do Sambódromo

Eram 2h da madrugada desta terça-feira quando a bateria da Tradição da Zona Leste iniciou sua jornada rumo ao mundo da mitologia, do circo e da alegria. Com referências ao Coliseu, Grécia, Zeus e África, a Tradição fez sua mistura criativa com... Tradição, é claro.

E, para manter a tradição, o público se manteve fiel ao espírito da festa. Apesar da natural dispersão devido ao horário, quem permaneceu no Sambódromo não se arrependeu. 

 

Na primeira noite foram 18 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Na segunda, cerca de 15 mil. A redução se deve, em parte, ao tempo fechado, mas não a ponto de espantar a plateia mesmo depois das 2h15 desta madrugada, inclusive com barracas abertas para venda de bebida e comida.  A Tradição passou guerreira, como os protagonistas de uma festa que voltou para ficar.

 

Tamborim de Ouro

A apresentação da Tradição surpreendeu e agradou os comentaristas do Tamborim de Ouro. O enredo foi bem desenvolvido pela escola. O bom samba contagiou o público e os integrantes da agremiação. O luxo e a beleza das fantasias foi destacado pelos analistas. Léa Maria admitiu que foi às lagrimas com o desfile da escola da zona Leste, que se revelou como a boa surpresa do Carnaval de 2012.

 

Coroa incentiva a ‘natureza total’

 

Primeira escola a desfilar no segundo dia do Carnaval em Bauru, a Coroa Imperial da Grande Cidade entrou na avenida com mais componentes do que em 2011, mostrando as belezas de um País tropical e retratando a importância da fauna e flora, assim como a preservação do meio ambiente.  

 

Além dos atrativos naturais, a Coroa Imperial da Grande Cidade também reverenciou as lendas e o folclore do País. Uma explosão de cores tomou conta da passarela do samba.

 

Fundada em 1992, a agremiação batalhou bastante este ano para conseguir recursos e fez um desfile de excelente qualidade, colorindo a passarela com vistosas fantasias.

 

O enredo “Contos e Encantos de um País Tropical” trouxe 350 integrantes, oito alas e três carros alegóricos, agradando em cheio a plateia. O destaque ficou para a comissão de frente, com cinco casais de bailarinos. 

 

Parte deles, os homens do gelo, saíam de um iceberg para encontrar os pássaros, que honravam a mãe natureza, a bailarina Ana Carolina Caetano, 16 anos. “Representei a felicidade que existe nas flores. A intenção foi mostrar a importância do homem respeitar a natureza que existe no nosso País”, disse.

 

Ponto alto

 

“Tivemos mais gente que o ano passado e tudo ocorreu dentro dos conformes”, avaliouo carnavalesco Ademir Oliveira. “Nosso samba-enredo foi um dos pontos-chaves, com um refrão forte”, acrescentou a vice-presidente da Coroa, Lucia de Fátima.

 

Outro ponto alto ficou para o carro que levava a Coroa, com mais de três metros de altura. 

 

Neste ano, a Coroa Imperial da Grande Cidade teve de volta Regina Afonso, 38 anos, no posto de porta-bandeira, depois de ficar afastada um ano. No ano passado, Regina Afonso estava com bebê recém-nascido no Carnaval e não pode desfilar (leia mais nesta página). Com uma fantasia que representava um jardim com flores e borbolentes, ela brilhou no Sambódromo. “Não via a hora de voltar”, afirmou.

 

Tamborim de Ouro

 

O desfile da Coroa Imperial na segunda noite do Carnaval de Bauru agradou os comentaristas do Tamborim de Ouro. A bateria foi elogiada e contagiou o público presente. Álvaro Gonçalves pontuou que o desenvolvimento do enredo, que homenageava a primavera, foi bem desenvolvido pela escola de samba. O aspecto menos positivo, porém, foi atribuído à simplicidade plástica e visual apresentada, amenizada em função da realidade financeira da maioria das agremiações. 

 

Do Rio para Bauru

 

Entre os destaques da Coroa Imperial, uma ‘carioca da gema’ assumia o posto de rainha da escola. Gisele Rodrigues de Almeida, 25 anos, nasceu no Rio da Janeiro, mas mora em Bauru há oito anos. No entanto, estreou apenas ontem no Carnaval da cidade. E não escondeu sua alegria por isso. 

 

“Está sendo incrível, porque dá para perceber que a festa está renascendo por aqui. A alegria por isso está acontecendo e supera o glamour do Carnaval mais tradicional do País”, comentou. 

 

Como o enredo da Coroa homenageia a primavera, Gisele de Almeida explicou que escolheu sua fantasia vermelha para representar as rosas da cor da paixão. “Elas são as a cara dessa estação”. 

 

De volta à avenida

 

O renascimento, simbolizado pela primavera e pela volta do carnaval de Bauru, se aplica também ao retorno ao sambódromo da empresária Regina Afonso, 38 anos. A porta-bandeira da Coroa Imperial voltou ao posto depois de um ano afastada da festa. 

 

“Desfilo desde o primeiro ano da escola, mas, em 2011, meu bebê tinha apenas 10 dias de vida no carnaval. A maternidade é uma coisa maravilhosa, mas não via a hora de voltar”, diz. 

 

 Sua fantasia representava um jardim com flores e borbolentes, enquanto a do mestre-sala Reginaldo Raquel, represenatava um beija-flor. Uma verdadeira explosão de cores. 

 

 

Águia de Ouro desfila suas estações 

 

Fundada em 1985, a Águia de Ouro veio disposta a defender um enredo que brinca com as quatro estações na certeza de que “o clima vai te seduzir”. Para atingir seu objetivo, enfrentou uma pequena variação de som, com vocal baixo. Mas sem perder a animação, a terceira entidade carnavalesca a esquentar os tamborins na última noite do Sambódromo demonstrou a simbologia e encanto na passagem de cada período com  poesia própria. 

 

 O abre-alas encantou o público com uma enorme águia na cor dourada. A comissão de frente abusou das cores branco e o dourado, novamente, foi destaque. 

Um dos carros alegóricos retratou a primavera, que representa época de reciclagem, de renovação, novos amores e pensamentos. Para isso, abusou das cores quentes e vivas. 

 

 Uma das alas versou sobre a chegada do verão, enaltecendo o sol como grande guardião desta estação. O outono e inverno também não ficaram para trás. 

 

Chuva de prata

 

Para encerrar com chave de ouro, a Águia surpreendeu o público com um imponente carro alegórico sobre o inverno, que deixava um lindo rastro de chuva de prata. Bonecos de neve lembraram os países mais gelados. 

 

 A ala da bateria se destacou por trazer integrantes de todas as idades, inclusive crianças. O cadeirante Francisco Gomes Ribeiro, de 16 anos, se sobressaiu e mostrou que a dificuldade física não foi empecilho. “É a terceira vez que desfilo com a Águia”, comentou. 

 

 “Não tivemos nenhum imprevisto, apenas um atraso típico de alguns integrantes, mas tudo correu bem. Acho que conseguimos passar com clareza a mensagem das quatro estações através de todo o conjunto da escola”, examinou Edivaldo Simões Dida, um dos presidentes da Águia de Ouro. 

 

Tamborim de Ouro

Apesar do samba de boa qualidade e coerente ao enredo proposto, a Águia de Ouro não conseguiu encher o sambódromo de som na noite de ontem. Essa é a análise do comentarista José Fernando do Amaral Júnior (Piteco). Ele observou que, mesmo com um samba fácil, nem o público nem os próprios membros da escola o cantaram. Já Paulo Burian ressaltou que a comissão de frente estava luxuosa, mas o restante do desfile não acompanhou o mesmo nível, com problemas nas alegorias e, principalmente, com as roupas de baixo dos membros se sobressaindo em relação às fantasias. No entanto, foi consenso a evolução da escola em relação ao ano anterior.

 

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