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Carnaval, o ópio do povo

Gilson Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

Karl Marx dizia que a religião era o ópio do povo. Em certo sentido, ele estava certo. Uma religião sem a graça e a verdade de Deus vira o ópio do povo. Mas vamos plagiá-lo. O Carnaval é o ópio do povo. Vivemos num país de terceiro mundo (apesar de sermos a 6.ª economia e do triunfalismo que envolve as lideranças políticas), com mazelas e distorções absurdas, com uma guerra civil não declarada, a violência ganhando ares de Iraque e ainda assim o povo deseja pular o Carnaval. Num país sério, os escândalos políticos, a corrupção generalizada do serviço público, a lentidão da Justiça, os pacientes que vão morrendo como moscas nos hospitais públicos, teriam gerado uma indignação tão grande que as pessoas estariam nas ruas, não para pularem ou festejarem, mas para exigir mudanças. Como pode ser isso?

Infelizmente, há muitas drogas que entorpecem a Nação além do crack, da cocaína e da maconha. Poderíamos falar que o futebol, a bebida, os programas alienantes e idiotas de uma televisão comprometida em levar a mente de qualquer um à falência (que diga o BBB e sua pornografia debaixo dos cobertores), as novelas e tantas outras coisas que representam o ópio das pessoas. Infelizes, mal sucedidas, frustradas e sem esperança, as pessoas buscam algum tipo de prazer ou satisfação que expurgue os fantasmas e angústias de sua alma. O problema é que depois da Quarta-feira de Cinzas o problema vai estar lá na sala de casa, no escritório, na conta bancária.

Temos que orar muito pela Nação, pois, após tantas tragédias e notícias assustadoras, percebemos que a indignação das pessoas é momentânea. São poucos que desejam ver deste País algo mais do que futebol, Carnaval e mulher bonita. Neste tripé, o Brasil se sustenta como um país de faz-de-conta, uma verdadeira República das bananas, em que os bananas pagam seus impostos, trabalham, lutam e no final vemos todo esforço sendo jogado no ralo do desperdício, onde a maioria quer desfrutar da festa, apesar do tráfico, da corrupção ou dos Joãos que são arrastados de forma cruel e desumana.

Ao olharmos a escritura vemos o profeta Oséias dizer: "... o Senhor tem uma acusação contra vocês, que vivem nesta terra: ?A fidelidade e o amor desapareceram desta terra, como também o conhecimento de Deus. Só se vêem maldição, mentira e assassinatos, roubo e mais roubo, adultério e mais adultério, ultrapassam todos os limites! E o derramamento de sangue é constante. Por isso a terra planteia, e todos os seus habitantes desfalecem..." (Oséias 4:1-3).

Ao ler esta descrição de Israel no século VIII a .C percebemos que nada mudou. Isso poderia muito bem ser aplicado ao Brasil hoje. Nestes dias de extrema carnalidade veremos aumentar a prostituição, o tráfico de drogas, as mortes, assassinatos, adultérios. Muitas crianças serão geradas para depois serem abortadas; muitos pais perderão seus filhos e a iniquilidade crescerá assim como o juízo sobre a terra. Portanto, ore e clame a Deus para que tenha compaixão do nosso País. Unamos nossas forças em oração e falemos da graça de Cristo que livra o ser humano do juízo. Temo que o juízo seja maior que o nosso povo possa suportar, pois como dizia Paulo: "... a ira de Deus é revelada dos céus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça" (Romanos 1:18). Uma abençoada semana em Cristo Jesus.


O autor, Gilson Jr.,é pastor

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