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Para UE e FMI, dívida grega pode se descontrolar de novo

Reuters
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O segundo pacote de resgate financeiro à Grécia pode sair dos trilhos e levar a dívida do país novamente a níveis insustentáveis. A conclusão é de um estudo confidencial feito pelo Fundo Monetário Internacional e pela União Europeia.

A análise de nove páginas, usada por ministros das Finanças da zona do euro como base para a aprovação do pacote de 130 bilhões de dólares, na madrugada de terça-feira, em nada se parece com um voto de confiança na capacidade grega para endireitar suas finanças. Na verdade, o relatório, datado de 15 de fevereiro e obtido na segunda-feira pela Reuters, descreve como a recuperação grega continuará sendo incerta pelos próximos anos, e como Atenas precisará de ajuda internacional por um período indefinido.

Especialistas da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional salientaram os riscos e questionaram a premissa de que a Grécia será capaz de voltar nos próximos anos ao mercado de capitais. "Há uma tensão fundamental entre os objetivos do programa de redução da dívida e melhora da competitividade, já que a desvalorização interna necessária para restaurar a competitividade da Grécia irá inevitavelmente levar a uma maior relação da dívida em relação ao PIB no curto prazo", disse a análise.

"Diante dos riscos, o programa grego pode assim continuar propenso a acidentes, com dúvidas pairando sobre a sua sustentabilidade." Os autores manifestaram particular preocupação de que a demora na adoção de impopulares reformas estruturais e privatizações agravará a recessão, que já está em seu quinto ano.

"Isso resultaria em uma trajetória muito mais elevada da dívida, deixando ela chegar em até 160 por cento do PIB em 2020", diz o texto. Esse é aproximadamente o nível atual, antes do cancelamento de cerca de 53,5 por cento do valor de face dos títulos em poder dos investidores privados. Junto com outras medidas, isso deveria levar a uma redução da dívida a 120,5 por cento do PIB até 2020.

Os ministros europeus reduziram os juros de empréstimos oficiais à Grécia, obrigaram os credores privados a admitirem prejuízos maiores, e aceitaram limitar rendimentos do Banco Central Europeu com os títulos gregos.

Mas analistas alertam que a Grécia pode se desviar do cenário central em que essas cifras se baseiam, caso seja incapaz de implementar com rapidez todas as mudanças necessárias. "As autoridades gregas podem não serem capazes de realizar reformas estruturais e ajustes políticos no ritmo previsto como referência", disse o relatório. "A trajetória da dívida é extremamente sensível a atrasos no programa, sugerindo que o programa pode estar propenso a acidentes, e colocando em dúvida sua sustentabilidade."            

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