Aproveitar tudo o que for possível. Esse foi o lema de muitos foliões de Bauru para o Carnaval deste ano. A terça-feira da festa do rei Momo foi marcada por show popular no parque Vitória Régia, com a banda Mel com Pimenta que animou o público presente na noite de ontem. Além disso, a bateria da Acadêmicos da Cartola batucou até o início da noite na área de piscina do Bauru Tênis Clube (BTC).
Formado há mais de 1
anos, o grupo oferece repertório eclético, mas, no período de Carnaval, aposta nos sucessos do axé, no samba e nas marchinhas. “Nosso forte é a música baiana, mas sempre reservamos uma parte do show para os clássicos carnavalescos”, explicou a vocalista Lizeth Agnelli.
Neste ano, a banda decidiu dar ainda mais destaque às tradicionais marchinhas, que estão cada vez mais em alta. “A gente percebe uma tendência de resgate e isso é muito bom para que o carnaval à moda antiga se perpetue para as novas gerações”, disse a cantora.
Sem a chuva do Carnaval anterior, o clima foi favorável à folia e o público não fez feio, ao dançar as canções embaladas pela Mel com Pimenta. “Quando começou a chover ontem, ficamos com medo, porque senti até frio no ano passado, mas o dia foi maravilhoso e a noite será também”, lembrou Lizeth antes de subir ao palco.
A festa foi propícia aos ‘micareteiros de plantão’, que aproveitaram o show da banda para curtir os sucessos baianos. Toyane Magro, Natália Magro e o bailarino César Ricardo Miguel, 24 anos, chegaram cedo ao Vitória Régia e estavam ansiosos para o início da festa. “Procuro ir a todas as micaretas que acontecem por aqui. Não vejo a hora de dançar as músicas do Parangolé”, disse a animada Toyane, que contaria com a ajuda do amigo para as coreografias.
Até mesmo quem não é chegado à festa do Carnaval compareceu ao Vitória Régia. O casal Mauro Henrique Bonfim e Daniele Batista Bonfim levaram os filhos Isabela e Renan Bonfim, de 1
e 8 anos, para um passeio no parque no fim da tarde de ontem. “A gente não gosta muito da bagunça, mas aproveita o dia para descansar e estar com a família, já que amanhã [hoje], o feriadão acaba”, disse o pai, que é funcionário público.
As figuras curiosas também marcaram presença no Vitória Régia. O funcionário público André Luís Watanabe Moreno encarnou o palhaço Dudé e interagia com as crianças no parque. “Faço isso por diversão, por lazer, apesar de vir ajudar um amigo ambulante”, contou.
Jovens e crianças se divertem com Cartola na piscina do BTC
O Carnaval não tem restrição de idade, mas foram as crianças que dominaram a matinê do BTC Folia durante a terça-feira. Os pequenos vestiram suas fantasias e se renderam ao samba da Acadêmicos da Cartola, de autoria do jornalista Nélson Gonçalves. Cerca de 3
integrantes da bateria da escola e outros destaques, como o casal de mestre salas e porta bandeira, agitaram a área das piscinas do clube de campo, com sambas clássicos dos carnavais paulista e carioca, além dos apresentados pela própria agremiação ao longo dos anos.
Folião convicto, o cirurgião dentista Gustavo Cury levou o filho Guilherme Cury, de apenas 3 anos, para a festa no BTC. Carregando o guarda-chuva característico do frevo pernambucano, o garoto mostrou a todos os presentes que leva jeito para o samba. “Tem que aprender as coisas boas com o pai”, disse Gustavo.
As meninas também fizeram a festa ontem no BTC. As irmãs Maria Luiza e Maria Clara Junqueira Lopes Pampano, ambas de 6 anos, foram vestidas de mulher gata e mulher tigresa, respectivamente. “Eu venho aqui porque gosto muito de dançar e sambar”, contou Clara.
Até as mais tímidas, como Giovana Paludeto, de 7 anos, não resistiram e subiram ao palco da Cartola. Mesmo aos 2 anos de idade, Pietra Figueiredo já é experiente na folia. A pequena se vestiu de fada e caiu no samba do BTC. No último domingo, porém, ela já havia desfilado com a Cartola no sambódromo de Bauru.
Samba de Bauru.com.br
Quem intercalou a transmissão ao vivo do Carnaval do Rio de Janeiro e acompanhou pelo JCNet os defiles bauruenses não se arrependeu. Com uma iniciativa do Jornal da Cidade, 96 FM, TBR, rádio Auri-Verde, Interage e apoio da LPNet, uma estrutura campeã foi montada para que o Sambódromo estivesse em várias casas ao mesmo tempo. Deu certo.
A página do Facebook do Jornal da Cidade, criada há menos de um ano, atingiu 5 mil “curtir” na noite de segunda-feira e mais de 2
comentários na transmissão em vídeo (www.jcnet.com.br).
A transmissão ao vivo pela internet superou 2.5
acessos. Até 1h da madrugada de segunda para terça-feira foram mais de 4.5
visualizações do desfile do primeiro dia (material gravado).
Na página, os leitores puderam acompanhar lances minuto a minuto, comentários e fotos exclusivas. Já no segundo dia, a mesma audiência permaneceu com flashs ao vivo e muita interação com o público presente.
Resgate e força
Toda a transmissão pode ser assistida em HD, o que favoreceu o show de imagens e som. De acordo com a análise da TBR, responsável pela organização da transmissão em vídeo, somente na primeira noite, cerca de 1,5 mil pessoas assistiram ao desfile.
“Quem não estava no Sambódromo também viu as maravilhas das escolas e blocos bauruenses para resgatar a força do nosso Carnaval”, destaca Willians Balan, da organização da transmissão. “Também ficamos satisfeitos em verificar audiência em outros estados e países, como Canadá, Estados Unidos e outros da América do Sul.”
Serviço
Acesse o material gravado pelo www.jcnet.com.br
Festa é fonte de renda para famílias
Não é só de alegria e diversão que vive o Carnaval. Para muitas pessoas, a folia também é sinônimo de fonte de renda. É o caso da família Brandão, que veio em peso, ontem, ao Sambódromo, determinada a matar a fome dos foliões.
“Estamos com três barracas na área de alimentação: de churrasco, pastel e bebidas”, enumera Régis Brandão de Carvalho, 28 anos, citando a mãe, Ivete Rocha Brandão, os três irmãos e os dois cunhados que se organizaram para obter um lucro extra durante a festa carnavalesca.
Todos moram juntos, no Núcleo Geisel, e vieram pelo segundo ano consecutivo ao Sambódromo a trabalho. “Ontem (domingo), trabalhamos muito e nem deu para acompanhar os desfiles. Mas não tem problema. O importante é que a gente está vendendo bastante”, pondera Ivete, que pretendia comemorar, hoje, seus 52 anos utilizando parte do lucro obtido com as vendas deste feriado prolongado.
Já o casal Valéria Aparecida dos Santos, 53 anos, e Célio Rodrigues dos Santos, 63 anos, se dividiam entre a preparação de lanches e a fritura de pasteis em outra barraca montada no Sambódromo. Normalmente, eles comercializam os alimentos em casa, no bairro Ferradura Mirim, mas participam como ambulantes nos principais eventos da cidade, como o aniversário de Bauru e o próprio Carnaval.
Segundo conta Valéria, o negócio em família já existe há mais de 2
anos. “Meu marido foi cozinheiro de restaurante na antiga estrada de ferro e já tinha algum conhecimento neste ramo. Então, decidimos arriscar e deu certo. Criamos nossos seis filhos vendendo lanche”, revela, orgulhosa.
Com menos tempo de experiência com vendas, o casal Flávio Mariano, 47 anos, e Eliete Mariano, 46 anos, pediu a ajuda de um amigo para atrair clientes: o palhaço Dudé, que preferiu não ter a verdadeira identidade revelada. Com muita simpatia e carisma, ele chamava a atenção de quem passava em frente à barraca.
Assim como Valéria e Célio, Flávio e Eliete também vendem lanches em casa e, em eventos especiais, como a Grand Expo e o Carnaval, aproveitam para faturar mais. “Começamos há menos de seis meses e está dando super certo. Tanto que já estamos planejando abrir uma lanchonete no Parque Roosevelt, onde a gente mora”, comemora.