Londres - Com uma crise social cada vez maior na Grécia, os ministros das Finanças da zona do euro aprovaram na madrugada de ontem em Bruxelas a liberação de 13
bilhões de euros de um segundo e decisivo pacote de resgate ao país, que corre riscos cada vez maiores de inadimplência.
Os ministros também determinaram que o governo grego deverá implantar medidas que reduzam a dívida da Grécia de 16
% para 121% do PIB até 2
2
.
Com isso, o acordo chega perto da meta anterior de 12
% do PIB.
Durante as negociações, que duraram mais de 12 horas, novo entrave ao empréstimo foi levantado pela Holanda.
Descrente de que os gregos cumprirão a sua parte no acordo, o ministro das Finanças holandês, Jan Kees de Jager, declarou que deseja estabelecer uma missão permanente da chamada “troica” (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI) na Grécia.
Essa missão teria a finalidade de assegurar que Atenas cumpra os ajustes impostos pelos credores públicos. As medidas de austeridade, que chegam a 3,3 bilhões de euros, reduzirão salários, aposentadorias e o total de empresas e empregos públicos no país.
De Jager foi firme ao dizer que “a Grécia quer o dinheiro, mas até agora não demos nada a eles. Nós podemos dizer não até que o país cumpra todas as exigências”.
A exigência holandesa surge em um momento em que a Alemanha, até aqui a maior fonte de pressão sobre a Grécia, enfim dava sinais de concordância com a liberação dos recursos.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, se disse otimista e afirmou que seu objetivo era decidir sobre o novo plano ontem, embora ainda quisesse esclarecimentos a respeito da redução da dívida da Grécia.
O foco de Schäuble era a negociação com os credores do setor privado, que envolve o perdão de 1
bilhões de euros da dívida. O ministro quer que o país alcance o objetivo de reduzir sua dívida para 12
% do PIB em 2
2
. Hoje, ela está em 16
%.
O FMI, dirigido por Christine Lagarde, acredita que só o acordo com credores privados será insuficiente para esse objetivo, e pede que o Banco Central Europeu, o maior credor da Grécia, aceite deixar de lucrar 15 bilhões de euros para que a meta seja atingida.
Bolsa
As ações europeias terminaram em baixa ontem, em um dia de baixo volume, com investidores realizando lucros das recentes altas. O esperado acordo sobre o segundo pacote de socorro à Grécia não conseguiu dissipar preocupações acerca do futuro do país mais problemático da zona do euro.