Buenos Aires - Governo e oposição trocaram farpas ontem, no dia seguinte ao acidente de trem que matou 5
pessoas e deixou mais de 7
feridos na estação Once, no centro de Buenos Aires. A polícia ainda não chegou a conclusões com relação à causa da tragédia, mas os críticos ao governo de Cristina Kirchner cobraram melhor atuação por parte do Estado.
“O governo deve dar explicações para a falta de controles da TBA (Trens de Buenos Aires)”, disse o cineasta e líder do Proyecto Sur, Fernando Solanas. O diretor referia-se à empresa privada responsável pela linha, que recebia subsídios do Estado.
Um dos diretores da TBA, Roque Cirigliano, afirmou que o trem vinha operando de forma “aceitável” e que acreditava na hipótese de erro humano. Foi insultado aos gritos de “assassino”.
O socialista Christian Castillo pediu a nacionalização dos transportes, enquanto as principais centrais sindicais defenderam que o governo retome o controle da linha.
O secretário de Transportes, Juan Pablo Schiavi, e o ministro do Planejamento, Julio de Vido, deram uma conferência a jornalistas na qual não se permitiram perguntas.
Disseram que o Estado atuaria “em defesa dos cidadãos”. Schiavi também amenizou declarações de ontem que repercutiram mal.
O secretário havia dito que as pessoas que morreram por estar nos vagões um e dois compartilhavam “essa coisa da cultura argentina de querer ficar na frente para sair primeiro”. E também que, se o acidente tivesse ocorrido durante o Carnaval, não haveria tantos mortos. “Não estava tentando minimizar - apenas reforçar que por ser horário de pico, houve mais vítimas.”
Deputados da oposição sugeriram que o secretário de Transportes deveria ir ao Congresso dar explicações.
Desaparecidos
Dez famílias ainda buscavam parentes desaparecidos no acidente com o trem no fim da tarde de ontem, na estação de Once, em Buenos Aires.
Segundo as autoridades, os 5
mortos já foram identificados, mas ainda havia muitos feridos anônimos espalhados nos hospitais da redondeza.
A confusão de informações era grande, o que fez com que pais, mães, tios e irmãs mostrassem um nervosismo crescente.
Andando de um endereço a outro, mostravam fotos, davam descrições físicas dos que ainda não haviam voltado para casa ontem.
Um dos casos mais chamativos era o de Estela Garcia, grávida de 9 meses que buscava o marido, Alberto Adrián Garcia. Após passar a madrugada atrás de informações, acabou sendo internada por estar muito nervosa. Garcia está entre os mortos.