Polícia

Polícia prende homem acusado de matar por três pedras de crack

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

O crânio esmagado a pedradas. O motivo da brutalidade: três pedras de crack. Foi isso que a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), descobriu ontem na prisão de Anderson Pereira de Oliveira, 32 anos. Após ser localizado em Suzano, região metropolitana de São Paulo, ele confessou ter assassinado, no ano passado, Caubi Cadete Magalhães, 18 anos, no bairro Índia Vanuíre, em Bauru.

 

“Foi tudo por causa da droga”, confirma Anderson de Oliveira, mais conhecido como “Ferrugem”. O assassinato ocorreu no dia 25 de agosto de 2

11 e o corpo da vítima foi encontrado no dia seguinte em uma vala. O rosto do jovem estava totalmente desfigurado.

 

Segundo o titular da DIG, Kleber Granja, o local do homicídio era um ponto de uso de drogas. Lá, além da arma do crime – uma pedra com bastante sangue e cabelos da vítima – foram encontrados vários vestígios de consumo de crack, como cachimbos.

 

“Logo que ocorreu o crime, as testemunhas ficaram com medo e não falavam sobre o fato. Entretanto, ao longo das investigações, conseguimos descobrir que o Ferrugem tinha tido alguns desentendimentos com a vítima”, conta o delegado.

 

Na noite do homicídio, esses desentendimentos foram além. Após Caubi ter negado três pedras de crack à Ferrugem, o jovem, segundo Kleber Granja, foi atingido violentamente com pedradas. “Na perícia, constatamos que, além do crânio esmagado, ele tinha muitas lesões nos braços, típicas de quem estavam tentando se defender de um ataque”.

 

Foram cerca de cinco ou seis golpes contra a cabeça de Caubi. “Ele foi morto e arrastado até a vala em que foi encontrado no dia seguinte”, relata o delegado.

 

O acusado fugiu dias após o crime. Como tinha familiares em Suzano, Ferrugem foi se refugiar com a esposa na cidade. Ontem, porém, “a hora de pagar chegou”, conforme as palavras do próprio acusado.

 

O inquérito concluiu que, ao contrário da versão de legítima defesa apresentada (leia mais abaixo), o crime foi de homicídio duplamente qualificado, uma vez que não deu chances para a vítima se defender e ocorreu por motivo fútil.

 

 

 

Do Fórum para a vala

 

O delegado Kleber Granja destaca o caso como o exemplo do potencial destruidor do crack. Segundo ele, Caubi Magalhães era um jovem de família boa e, apesar de seu usuário de drogas, não tinha problemas com a Justiça. “Ele só teve um ato infracional por conta de pichações. Por isso, ele estava cumprindo serviço comunitário no Fórum de Bauru”, conta.

 

Na época da morte do jovem, amigos e familiares mostraram toda indignação e comoção nas redes sociais. Ainda ontem, Anderson de Oliveira foi conduzido para a Cadeia Pública de Duartina.

 

 

 

‘Droga destruiu a vida dele e a minha’

 

Anderson Pereira de Oliveira, o “Ferrugem”, veio para Bauru em 2

9 na tentativa de trabalhar como pintor. Preso por roubo no passado, ele diz que, no interior, é mais fácil conseguir um trabalho sendo “fichado”. Porém, encontrou aqui o que, de acordo com ele, foi o “fim de sua vida”.

 

Já usuário de crack, ele conta que passou a consumir ainda mais a droga por aqui. “Eu comecei a usar em 2

6. Fui experimentar com um amigo e nunca mais consegui sair. Em Bauru, comecei a andar com más companhias e tudo piorou”.

 

Na noite do crime, confessa que estava sob o efeito do crack e que o assassinato ocorreu justamente por conta do entorpecente: “foi tudo por causa da droga”. Entretanto, ele contraria a versão da polícia e constatada na perícia. “Foi legítima defesa”, rebate Ferrugem.

 

Segundo o acusado, Caubi tentou asfixiá-lo e, por isso, ele somente reagiu. “Ele [Caubi] disse que só um dos dois iria viver. Eu só soube que ele estava morto depois. Quando sai do local, ele estava respirando ainda”, conta. 

 

Ao saber da morte, ele fugiu para Suzano. Preso ontem, ele, enquanto aguardava a transferência para a Cadeia Pública de Duartina, ainda dá um conselho: “não mexam com o crack. Acabou com minha vida, com a dele e com a das duas famílias”. 

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