Política

Direito de voto da mulher faz 80 anos

Murillo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

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Fábio Pozzebon/ABr

Para candidatas, o voto, símbolo de muitas conquistas femininas, deve ser valorizado

O Código Eleitoral Provisório promulgado por Getúlio Vargas completa 8

anos hoje. O código foi a primeira iniciativa governamental a assegurar o direito de as mulheres brasileiras votarem – fato que seria plenamente conquistado em 1934 (leia mais abaixo). 

 

Em Bauru, de acordo com registros do pesquisador Irineu Azevedo Bastos, as primeiras candidatas a disputarem uma eleição foram Aracy dos Santos Coelho e Lurdes de Oliveira Santos, ambas pelo Partido Social Trabalhista, em 1947. 

 

“No contexto histórico, 8

anos é um período curto se considerarmos todas as conquistas que as mulheres obtiveram”, defende a presidente do comitê municipal do PC do B, Majô Jandreice. “Nós saímos de uma condição onde éramos consideradas cidadãs de segunda categoria para governar o país. Mesmo assim, ainda precisarmos ocupar mais os espaços de poder e ampliar nossa participação decisiva nas votações”, defende.

 

No entanto, apesar de todos os avanços, ainda é pequena a quantidade mulheres que efetivamente foram eleitas para cargos públicos no município. 

 

Catarina de Carvalho Teixeira cumpriu mandato pelo PMDB entre 1997 e 2

.  Majô Jandreice (PC do B) foi eleita para a Câmara em 1992, 1996, 2

e 2

4 e Chiara Ranieri (DEM) ocupa desde 2

8 uma vaga na Câmara de Bauru. 

 

Na esfera do Executivo, Estela Almagro (PT) atual vice-prefeita, é a primeira mulher que compôs uma chapa eleita para o Palácio das Cerejeiras. A atual vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro (PT), também considera uma data a ser comemorada, principalmente pelo “simbolismo” das conquistas alcançadas. “Estou muito otimista para as próximas eleições. Acredito que eleição da presidente Dilma é um marco para mostrar a capacidade que as mulheres têm de ocupar cargos.”

 

 

 

Histórico

 

O  Código Eleitoral Provisório de 1932 permitia apenas que mulheres casadas ou viúvas e solteiras que tivessem renda própria, o exercício do voto. Apenas em 1934, essas restrições foram eliminadas. Em 1946 a obrigatoriedade do dever – até então, apenas masculina – foi estendida às mulheres.

 

 

 

Desafio: aliar vida pública com tarefas  particulares

 

Única representante feminina na atual legislatura de Bauru, Chiara Ranieri também considera positivas as mudanças pelo qual o “papel feminino” passou, mas reforça que ainda é necessário muita evolução no aspecto cultural e educacional, por exemplo, para que haja uma igualdade definitiva entre os sexos.

 

“Uma coisa que ainda afasta as mulheres da vida política é a dificuldade de aliar a vida pública com as tarefas em seus empregos ou suas residências – as famosas duplas jornadas”, acredita. “Penso que ainda devemos levar pelo menos duas gerações mudar o pensamento, de forma que homens e mulheres tenham uma divisão mais justas das tarefas - o que permitirá também uma maior colocação feminina nas esferas de poder”, finaliza. 

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