Bairros

Exército de lutadores

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Atualmente, é comum ver as palavras boxe, jiu-jitsu, kung fu ou muay thai misturadas em meio às palavras musculação, hidroginástica e dança nos anúncios de grande parte das academias espalhadas pelos bairros da cidade. Isso é prova material e incontestável de que as artes marciais nocautearam o preconceito e entraram de vez no leque de opções para quem busca qualidade de vida e saúde.

 

A inversão de valores teve início há pouco tempo, quando a prática de esportes de contato, antes confundida com algo violento, ganhou os holofotes da mídia por conta da popularização do Ultimate Fighting Championship (UFC), um campeonato que tem como base a mistura de artes marciais, o MMA. 

 

Com isso, artes marciais ganharam espaço e tiveram a oportunidade de mostrar o que realmente são e como funcionam. O acesso à informação foi o suficiente para derrubar o estigma de violência que sempre marcou as lutas.

 

E mais: em pouco tempo, a prática de artes marciais passou a ser bem aceita e bastante procurada por conta dos benefícios que traz à saúde. Inclusive, por mulheres.

 

Além da grande queima de calorias, as lutas, no geral, aumentam a força, a elasticidade, a coordenação, melhoram o condicionamento físico e aeróbio, e trazem o equilíbrio.

 

As mulheres adoram. É uma forma rápida e diferente de conquistar os mesmos objetivos que as levavam a procurar a ginástica ou mesmo a musculação. Os socos, chutes, quedas e agachamentos trazem resultados evidentes para o corpo, explica Richard Leutz, professor de kung fu na Associação Garra de Tigre Kung Fu Hung Gar.

 

As lutas também centram as pessoas. Quem é calmo, tende a ficar mais sociável e ativo. Já quem é nervoso e hiperativo, tende a ficar mais calmo, mais relaxado. O corpo todo fica em harmonia, destaca Christiano Catala Paes de Almeida, faixa preta de jiu-jitsu e professor de MMA na academia Chris Goldteam.

 

Com tantos benefícios, não é a toa que as lutas ganharam as academias dos mais diversos bairros da cidade e tornaram-se a vedete do momento. O maior desafio, nesse caso, é escolher uma modalidade.

 

 

 

Regra e imagem

 

O esclarecimento sobre as regras de cada modalidade de artes marciais também foi fundamental para que os esportes de contato deixassem o papel de vilões para assumir o lugar de mocinho aliado da saúde.

 

O antigo vale-tudo, um dos maiores contribuintes para esse estigma, beijou a lona há tempos. Hoje, as regras são claras e precisas, criadas para proteger o atleta de qualquer problema mais grave. E, ao contrário de antes, não vale tudo. Em nenhuma das modalidades, por exemplo, é permitido enfiar o dedo em orifícios como olhos, nariz e boca.

 

Quem opta por competir, além de estar preparado e conhecer profundamente as técnicas de sua modalidade, luta com adversários com pesos, graduação ou idade parecidos. Além disso, ninguém é obrigado a seguir até o fim.

 

No jiu-jitsu, o atleta pode desistir da competição caso seu adversário lhe aplique uma finalização nas articulações. Não é preciso esperar que o braço ou a perna sejam quebrados. Basta dar três tapas, sinalizando a desistência, explica Ricardo Pereira, faixa preta de jiu-jitsu e professor de uma equipe com seu nome.

 

A imagem bem humorada de lutadores em propagandas e programas de televisão também contribuiu para a quebra de estigma de violência que sempre marcou as artes marciais.

 

Não é raro ver o campeão dos pesos médios do UFC e consagrado lutador de Artes Marciais Mistas (MMA) Anderson Silva cantando com artistas, como fez recentemente com o astro teen Justin Bieber, ou dançando, como no novo clipe da diva Marisa Monte.

 

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