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?Dose extra? de beleza na passarela

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Ela tem 27 anos, 94 quilos, 1,80m de altura, 104 centímetros de busto, 96 de cintura, 118 de quadril e foi eleita a 1ª Musa Plus Size do Carnaval de São Paulo e, de quebra, foi destaque da escola samba Águia de Ouro. Fabíola Romão nasceu em Barra Bonita e há cinco meses trabalha com modelo plus size em São Paulo.


“Eu me interessei pelo assunto e procurei uma agência quando percebi que meu tipo físico estava em alta. Sempre quis ser modelo e já fiz dietas malucas para emagrecer. Porém, eu não estava descontente com meu corpo, mas as pessoas viviam dizendo que eu seria mais bonita se fosse magra”, lembra.


Fabíola foi magra na adolescência e revela que começou a engordar depois da gravidez. “Engordei cerca de 30 quilos e não consegui emagrecer”.


Depois de muitas tentativas frustadas, Fabíola deixou de lado as dietas sem resultados, assumiu suas curvas e garante fazer sucesso por onde passa.


Sem fazer apologia à obesidade e pensando em saúde, a plus size afirma que controla o seu peso para não ultrapassar o manequim 46 e revela: “Faço exames periodicamente para manter a saúde em dia e, apesar de estar muito feliz com meu corpo, mudaria minha alimentação caso precisasse”.




Tendência


Há 26 anos a empresária Luck Dias trabalha com o mundo da moda e há pouco mais de dois anos mantém modelos plus size no casting de sua agência, em Bauru: “A procura por modelos plus size está crescendo, principalmente nas capitais. Embora ainda caminhe a passos lentos, acredito que ele está desabrochando no Interior. Mas o comércio e a publicidade ainda precisam se abrir para tais profissionais”, observa.

 

Para ser modelo ‘plus size...’


Em primeiro lugar é preciso ter estilo e gostar de moda para valer.


Simpatia e carisma também são fundamentais.


Cabelos, pele e unhas devem ser bem cuidados.


Normalmente, a altura das modelos varia entre 1,65 e 1,75m.


O manequim mínimo de uma plus size é o tamanho 46 e pode chegar até o 52.


A medida da cintura normalmente está entre os 80 e 92 centímetros.


Já o quadril pode ultrapassar os 100 centímetros.


É importante que a candidata tenha um book fotográfico profissional.


Embora não exista limite de idade, o mercado prefere modelos com até 35 anos.



Fonte: Luck Dias, proprietária da agência Sunshine Models

 

Depoimento: Rose não se sentia mal por estar fora do peso, mas sim por não se vestir bem


Rose Mamede se considera uma mulher feliz e bem resolvida. Mas a visão sobre si mesma nem sempre foi assim.


Rose conta que não se sentia mal por estar fora do peso ideal, mas sim por não conseguir se vestir bem. Foi quando ela começou a pesquisar sobre mulheres gordinhas na Internet e encontrou o blog “Mulherão”, que se intitula um manual de sobrevivência para mulheres acima do peso, com dicas de moda, beleza, sexo e saúde (http://mulherao.wordpress.com/).


“No blog, eu li relatos de mulheres bem vestidas, lindas e felizes com o corpo. Engordar foi uma opção, já que meu marido me achava muito magra, mas meu problema era não saber valorizar meus pontos fortes. Passei a ler as dicas e, hoje, encontro peças que me valorizam”, conta.


Ao contrário do que muitas mulheres “cheinhas” fazem, Rose não usa roupas largas para esconder o corpo. Biquínis, jeans, decotes...Hoje, a moça que é modelo plus size em Bauru, é atenta à moda e veste o que lhe cai bem: “Mas é importante que ressalta que nem tudo fica bem. Não uso miniblusas, por exemplo. Aliás, bom senso é válido para todas, independente da idade ou peso”, deixa a dica.




Na Justiça


Segundo Rose, o maior pecado das lojas ainda é o preconceito. Ela acredita que muitas até têm boas peças, mas não satisfazem as clientes na hora de oferecê-las. A indignação da modelo é tanta que ela está movendo um processo por preconceito contra a dona de uma loja em Bauru.


O fato ocorreu há alguns anos mas ainda se arrasta na Justiça. Rose afirma que foi até um estabelecimento comercial especializado em tamanhos grandes para comprar um vestido.


“Era véspera de Natal e eu nunca havia achado um vestido jovial e bonito com o meu número. Decidi procurar eu mesma na arara da loja, já que a proprietária não se mostrou interessada em me mostrar tudo o que tinha”, recorda-se.


De acordo com Rose, ao vê-la com os vestidos nas mãos, a dona da loja aumentou o tom de voz e disse que os vestidos não caberiam nela e que poderiam até ser danificados. “Em tom agressivo, ela me chamou de gorda e não permitiu que eu fosse até o provador. Fiquei muito mal e comecei a chorar. Senti-me humilhada como cliente ”, finaliza.

 

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