Ler uma notícia ou ouvir de alguém um fato ocorrido é muito diferente do que presenciar. Quando fui até o local do acidente e vi o sofrimento infinito do cavalo preso às amarras da carroça, quase embaixo do carro e com a pata dianteira visivelmente fraturada, pensei que não suportaria ficar ali. Mas fiquei. Fiquei e pude observar a comoção que tomou conta dos abnegados bombeiros que compareceram ao local, a preocupação deles em amenizar tanto sofrimento foi imensa; um deles ficou o tempo todo acariciando a cabeça do animal. O veterinário Germano Spozito chegou o mais rápido que pode com um pré-anestésico para diminuir a dor. A repórter do JC chorou ao ver a cena. A esperança do Luiz Cortez, veterinário do Centro de Zoonoses, antes de examinar o animal e constatar a fratura. As pessoas todas que lá estiveram e se mostraram muito abaladas com tanto sofrimento... Somente uma pessoa destoou de tudo isso, o carroceiro que depois de praticamente atirar o cavalo contra o carro, mostrou a todos os presentes que a vida de seu animal era o que menos importava naquele momento. Presenciar tanta agonia foi tão triste que todos pareceram respirar aliviados quando a eutanásia foi consumada. Fica aqui uma constatação: o problema das carroças que utilizam animal de tração precisa de uma solução rápida. Até quando os maus-tratos a animais vão perdurar?
Rosângela Nora Bittencourt