Tribuna do Leitor

Beijaço Gay


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Bauru realizou neste sábado, dia 25/02, o 1º Beijaço Gay da cidade, em repúdio a um ato de intolerância e violência física gratuita contra um homossexual e à conduta adotada pela unidade central da rede de supermercados onde ocorreu o incidente. Bauru tem sido palco, não diferente do resto do País, de atos de violência contra a população em geral, o que inclui crimes de ódio contra homossexuais. Certo de que o pior preconceito é o velado, ouso dizer que condeno mais a atitude do supermercado - que expulsou o agredido do mercado e o impediu de adentrá-lo, enquanto manteve o agressor ao lado de dentro -, do que a do agressor. Este, que simplesmente desapareceu (e não foi pela porta da frente, única entrada e saída de clientes) após a chegada da polícia, é apenas o estopim de uma sociedade com cada vez mais gente. E, consequentemente, mais intolerante. Alguém realmente acredita que um dia o mundo será livre da violência?

O Beijaço em Bauru ganhou a mídia especializada nacional e promete ser tão revolucionário quanto a Parada do Orgulho Gay, que teve início no Brasil em 1997, em São Paulo, e contou com a presença de apenas 2 mil pessoas. Na ocasião, enfrentou uma chuva de críticas vindas, inclusive, da própria comunidade gay. Foi preciso "meia dúzia de malucos", que acreditavam na legitimidade da ação e importância da causa, tomar a frente para que se encontrasse eco entre seus semelhantes. E se a motivação para o nosso Beijaço foi, mais que talvez identificar - através do circuito interno de filmagens do supermercado, negado até presente hora -, provocar reflexão, pode se considerar desde já um sucesso! Nunca vimos tantas opiniões expostas sobre um assunto, tanto positivas quanto negativas. Encontrar certa resistência dentro da própria comunidade gay, ao contrário do que parece, é o maior motivador da ONG que realiza a ação, a Associação Bauru Pela Diversidade (ABD).

Enquanto os homofóbicos encontram na ação uma muleta para justificar sua ira contra os homossexuais, muitos gays viram no Beijaço uma justifica para não se expôr, aliviando um pouco a sua culpa pela falta de militância em todas as ações que lutam por direitos que também são seus! A passividade em ações legítimas é totalmente questionável quando se observa estas mesmas pessoas extravasando publicamente perante seus semelhantes em ambientes destinados aos mesmos. É lamentável ver tanta "digitação" e pouca "queimada de sutiã". Mas é por aí que se começa. Confesso que ficarei orgulhoso se encontrar algum movimento contrário ao Beijaço durante a ação - que sou completamente à favor, é bom frisar. A sociedade não precisa só de pessoas mais pensantes, precisamos de pessoas com atitude! Parabéns, ABD!


Paulo Rafael de Mira Cabello, vendedor e assessor de Imprensa

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