É difícil encontrar uma criança ou adolescente que não tenha certa admiração ou interesse pelos dinossauros e animais relacionados. Os dinossauros e animais pré-históricos fascinam os seres humanos. Seria pelo poder e superioridade! Pelo exemplo que todo poderoso, um dia, sucumbe? Ou seria que nosso subconsciente considera-nos substitutos no domínio dos demais animais. E a mídia ainda ajuda com numerosos programas e séries a respeito!
Há algumas décadas nem se imaginava dinossauros e parentes em solo nacional. Hoje as coisas mudaram e frequentemente se descobrem fósseis bem preservados entre nós.
Em 1990, Celso Felício, um estudante da 6ª série, encontrou um dente na estrada em obras da cidade de General Salgado, na região de Araçatuba. Nem imaginava a importância do que encontrara, mas procurou seu professor de ciências, João Tadeu Arruda. Foram até o local onde identificaram novos achados e peças. Entusiasmados pediram ajuda ao Museu de Paleontologia de Monte Alto, na região de Araraquara, que tem convênio com arqueólogos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os estudos revelaram que os restos encontrados pelo aluno e professor de ciências era de um dinossauro ou animal pré-histórico ainda não estudado e que passou-se a chamar Baurusuchus salgadonensis. Isto mesmo, nossa cidade está no nome de um ser pré-histórico e traduzindo: crocodilo de Bauru!
O Baurusuchus salgadonensis era um predador ágil e rápido em suas caçadas, segundo os estudos de reconstrução em 3D por tomografias e com a simulação dos seus movimentos. O animal vivia em terras pantanosas da bacia de Bauru, daí a sua denominação, apesar de ter sido encontrado em General Salgado. Até agora foram encontrados 12 animais em forma de fósseis quase que completos e bem preservados. Eles viveram na região há 90 milhões de anos, no período Cretáceo, e desde aquela época por aqui o clima era quente e seco, em campos abertos e com rios temporários em abundância. Ele tinha 3,5m de comprimento e pesava 80 a 400kg.
O animal pode ser o precursor dos atuais crocodilos e jacarés. Estes estudos estão sendo feitos por pesquisadores da UFRJ Ismar Souza Carvalho, Felipe Mesquita Vasconcelos, Thiago Silva Marinho e Karol Duarte. O animal tinha postura ereta e elevava seu tronco do solo, ao contrário dos crocodilos e jacarés que se arrastam pelo chão esfregando suas barrigas, se parecendo mais com os grandes felinos recentes, pois se apoiavam nos dedos e planta dos pés. Desde 2005, quando foi descrito pela primeira vez o Baurusuchus salgadonensis, viabilizaram-se muitas publicações científicas: duas teses, seis trabalhos publicados e quatro trabalhos de iniciação científica.
Em Marília está o único Museu de Paleontologia do oeste paulista. Nesta região da Bacia de Bauru, o pesquisador William Nava acredita que houve um predomínio de dinossauros da espécie titanossauros e crocodilianos a cerca de 65 a 145 milhões de anos, de acordo com registros fósseis e estudos geológicos realizados. O ambiente por aqui era pantanoso e muito árido.
Os titanossauros que por aqui viviam tinham pescoços e caudas longos medindo entre 9 a 20 metros de comprimento. Eram herbívoros apesar de seus dentes afilados em forma de lápis com pontas arredondadas. Provavelmente, havia no oeste paulista um grande lago conhecido como Paleolago Pantanal Araçatuba que se estendia até Rio Preto e Jales. Com o passar do tempo este lago foi sendo soterrado por depósito avermelhados pela acomodação das placas tectônicas, como sugerem os geólogos Luiz Alberto Fernandes e Alessandro Betezelli em declarações à imprensa. Assim formou-se nosso rico solo paulista.
Nos campos do oeste paulista, no lugar dos bovinos pastando, haviam os dinossauros e outros animais pré-históricos. Como desapareceram ou não sobreviveram? Esta pergunta não tem resposta precisa, mas atribui-se o desaparecimento dos dinossauros a um choque da terra com um asteroide. Ao levantar tamanha nuvem de poeira, impediu-se que raios solares chegassem ao solo por longo período de tempo, eliminando-se os vegetais sem a fotossíntese. Os dinossauros e outros herbívoros morreram de fome. Sem herbívoros, os dinossauros e outros carnívoros foram desaparecendo!
Conhecendo o passado, podemos entender melhor o presente e evitar os erros já cometidos. Este pode ser o motivo do fascínio dos dinossauros sobre nós!
Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC. E-mail: consolaro@uol.com.br