Agudos – No final de semana, um adolescente de 13 anos, agredido em outubro do ano passado dentro de uma escola estadual em Agudos (13 quilômetros de Bauru), voltou a ser vítima do que a família acredita ser um ato de preconceito. Ao parar para assistir partida de futebol em uma quadra de esportes municipal, ele foi agredido por um garoto da mesma idade com pauladas na cabeça. Pedaços do objeto, que se partiu em razão do impacto, serão encaminhados para perícia. A Polícia Civil irá apurar o caso, que também será comunicado ao Ministério Público.
O pai do adolescente (a identidade dele será preservada para evitar constrangimentos ao garoto) conta que o filho possui dificuldades motoras, visuais e déficit de aprendizagem (leia mais abaixo). No sábado à tarde, por volta das 19h3
, ele teria saído de bicicleta da sua residência, no jardim Cruzeiro, para ir até a casa da avó, que fica no mesmo bairro, nas proximidades de uma quadra de esportes. “Ele acabou passando nessa quadra para assistir um jogo de futebol”, revela.
No local, o adolescente teria se encontrado com um garoto que, já há algum tempo, de acordo com o pai da vítima, estaria insultando seu filho e o impedindo de jogar bola com os demais meninos da sua idade. “Ele parou na quadra e o menino veio e começou a insultar, xingar e ofender ele”, diz. “Tem uma construção do lado. O menino foi pegar um pau lá na construção e tacou na cabeça dele”.
Após o fato, o adolescente voltou para casa sem revelar à família o que havia ocorrido. Durante o banho, o pai percebeu um galo na cabeça do filho, que acabou falando sobre a agressão sofrida. Ele foi levado ao Pronto-Socorro (PS) local, medicado e liberado após a realização de Raio-X e algumas horas em obervação. Por sorte, segundo o pai, nada de mais grave aconteceu com seu filho.
Parte do pedaço de madeira que teria sido usado para agredir o menino foi recolhida na quadra de esportes e apresentada no plantão policial, onde foi registrado um Boletim de Ocorrência (BO) de ato infracional de lesão corporal. Hoje, o pai dele deverá buscar declaração no hospital onde o adolescente foi atendido para encaminhar à Promotoria da Infância e da Juventude e ao Conselho Tutelar do município.
O homem atribui a agressão ao preconceito que muitas pessoas têm face às limitações do adolescente. “Normalmente, eles (meninos) escolhem os melhores para o time. E, no caso, ele não tem essa habilidade no futebol e, então, acaba ficando de lado”, afirma. “Não posso falar que meu filho foi espancado igual cachorro porque os animais têm lei que os protegem e meu filho não”. Segundo ele, o garoto suspeito de agredir seu filho, inclusive, teria sido expulso de projeto social devido a atos de indisciplina. Além disso, ele não estaria frequentando a escola.
O delegado César Ricardo do Nascimento informou que irá ouvir o adolescente e o suspeito de agredi-lo nas próximas semanas e requisitar realização de exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) para constatar a agressão. “A gente também vai pedir perícia para aquele pedaço de madeira que foi apreendido”, declara. Todo o procedimento, de acordo com ele, será remetido ao Fórum de Agudos.
Violência recorrente
Em outubro do ano passado, durante uma aula vaga, o adolescente foi agredido por um menino, também da sua idade, dentro da escola estadual onde cursava a 6ª série. A “briga” foi gravada por uma estudante pelo celular e postada na Internet. O vídeo mostra os dois meninos caindo no chão. Na queda, eles quase batem as costas em um banco. Após assistir o vídeo, o pai do estudante procurou a direção da escola e, orientado por um advogado, encaminhou o caso ao Ministério Público e à Diretoria de Ensino de Bauru.