A economia brasileira passa por um momento de indefinição. Isso permite traçar os mais variados cenários. Se a percepção é positiva, podemos apontar a retomada do crescimento econômico, o fortalecimento do mercado interno, a manutenção do nível de emprego, enfim, um ano melhor do que ocorreu em 2011. Se a percepção é negativa, temos que enfatizar o desafio do controle da inflação, o crescimento menor do emprego, a elevação dos juros na ponta, causada pela inadimplência, o câmbio descalibrado, e a necessidade de forte ajuste fiscal. O presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini, em audiência pública no Senado, na Comissão de Assuntos Econômicos, entende que a economia nacional crescerá, mas abaixo de seu potencial. Por isso justificou as reduções já promovidas na taxa básica de juros e abriu a perspectiva de novas quedas. Observem que não passou visão pessimista, contudo, fez a leitura que é necessária uma correção de rumo.
Em meio às discussões se o Brasil crescerá 3% ou 3,5% ou ainda 4% neste ano, são divulgadas pesquisas apontando que o consumo das famílias crescerá 13,5% neste ano. Observem o vigor do mercado interno como mencionamos no cenário positivo. Quem elaborou a pesquisa foi o Ibope e chama a atenção o valor total envolvido no consumo em bens e serviços para este ano: R$ 1,3 trilhão. Este valor representa 30% do PIB. Evidentemente que este potencial será atingido levando em conta as condições atuais de emprego.
Por região, o crescimento será maior no Norte (26,5%), seguida do Nordeste (24,1%), depois a região Sul (19,7%), Centro Oeste (19,4%), ficando na rabeira a região Sudeste (6,5%), perfazendo a média de 13,5%. Podemos concluir pela pesquisa que as regiões Norte e Nordeste se comportam internamente, como o Brasil se comporta para o resto do mundo, ou seja, crescimento potencial acima da média.
Voltando aos cenários, afinal o que esperar diante de tantas variáveis? Na minha visão, a economia nacional se assemelha a um veículo que estava rodava em autoestrada e podia andar a 120 quilômetros por hora com segurança e acabou entrando em uma estrada secundária, cuja velocidade máxima é de 80 quilômetros por hora. O veículo não para, mas reduz o ritmo. Observo que o apetite dos empresários não diminuiu, contudo, observo também certa seletividade por parte dos bancos, evitando assumir riscos maiores.
De qualquer maneira, conquistará mais aqueles que forem capazes de mudar o rumo das coisas com maior velocidade e com boas estratégias. Da parte do governo, a expectativa é que contorne o cenário mais pessimista e crie condições de manter a pujança do mercado interno. São cenários desafiadores, mas como muito trabalho e inspiração será possível encontrar o caminho do crescimento, sem maiores traumas.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC