Quioshi Goto/Reprodução |
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Imagens mostram momento em que mulher entra no local, pega o produto e vai ao balcão para reclamar |
Em várias situações, devolver um produto é um direito do consumidor. Porém, uma mulher se apoiou exatamente neste direito para criar um golpe novo que está sendo aplicado na cidade. No balcão do estabelecimento, ela cria grande confusão para trocarem o produto ou devolverem o dinheiro, porém, o único detalhe é que o objeto alvo das reclamações não foi comprado por ela. Pelo contrário, a golpista acabara de retirá-lo de uma das prateleiras do local.
Em regiões diferentes de Bauru, lojistas relataram terem presenciado o “golpe da devolução”. O primeiro deles ocorreu na terça-feira em uma loja de materiais elétricos no Núcleo Habitacional Mary Dota. A ação foi gravada por uma das câmeras do local.
Nas imagens, disponibilizadas na internet, é possível ver a mulher, loira e de estatura mediana, entrando no estabelecimento às 15h37. Sem ver ninguém no atendimento, ela rapidamente pega um torneira elétrica e vai ao balcão.
“Ela chegou reclamando que queria devolver o objeto. Disse que não deu certo na sua casa e que queria devolver. Quando pedimos a nota fiscal, ela disse que não tinha e começou a se alterar”, conta a proprietária da loja, uma mulher de 42 anos, que pediu para ter a identidade preservada.
Segundo a lojista, a golpista “armou um grande barraco” e chegou até a ameaçá-la, dizendo ser “mulher de um traficante”. Em meio a toda confusão, os proprietários, mesmo suspeitando de que se tratasse de uma artimanha, resolveram fazer a troca que a suposta golpista desejava.
Ela foi embora levando uma ducha e uma antena que, juntas, valiam R$ 6
,
. “Foi algo muito rápido. Ela não parava de falar. Mexeu com nossas cabeças”, conta a vítima.
Após ver as imagens da câmera de vigilância, os proprietários contam ter tido a certeza de que se tratava de um golpe. A Polícia Militar (PM) foi acionada e realizou diligências nas proximidades, porém, não encontrou a mulher.
Novas tentativas
Um dia após a artimanha ter funcionado, ela parece ter voltado a agir. Por volta das 1
h, uma mulher com as mesmas características foi até uma livraria na região central da cidade. “Ela pegou duas velas da loja e disse que tinha comprado há duas semanas. Também queria devolver. Como registramos as vendas, puxamos e vimos que não havia sido vendida esta quantidade pequena de velas”, conta a proprietária do local.
Após ter a devolução negada, ela agiu da mesma forma: começou a confusão. Os funcionários “resistiram” aos gritos da falsa cliente e disseram que só podiam fazer a devolução no período da tarde, quando os responsáveis pela loja estariam presentes. Contrariada, ela deixou os produtos e foi embora.
Como a tática não funcionou, ela foi até uma loja de artigos variados no Calçadão da Batista de Carvalho. Lá, por meio da mesma estratégia, tentou trocar uma panela de pressão. “Ela disse que tinha comprado há duas semanas também”, conta o gerente do local.
Aquele, entretanto, não era o dia de sorte da mulher. Uma funcionária da livraria que ela tinha acabado de tentar aplicar o golpe foi até a loja de varejo e presenciou a ação. Alertados, os funcionários da loja também não caíram na armadilha. “Questionamos e ela caiu em contradição. Dissemos a ela para nunca mais voltar aqui. Ouvimos também que ela agiu da mesma maneira em uma loja de cosméticos”, completa.
O ‘velho’ 171
Caso comprovado o golpe, segundo o delegado Clédson do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, trata-se realmente de estelionato. O artigo 171 do Código Penal prevê reclusão de 2 a 5 anos a quem conseguir algo para si por meio de artifícios ardilosos ou fraudulentos.
Além de determinar a penalidade, o artigo serve ainda para, popularmente, denominar quem pratica este crime. O “famoso” 171 existe há anos e, com lábia e criatividade, quem o aplica age de inúmeras formas (veja no quadro acima).
“É importante que as pessoas que foram vítimas do golpe façam o registro para a polícia poder investigar e punir quem pratica este tipo de crime”, completa o delegado Cledson do Nascimento.
Em nenhum dos casos do “golpe da devolução”, foi feito o boletim de ocorrência (BO), entretanto, uma das vítimas disse que iria fazer o registro hoje. As imagens gravadas podem auxiliar os lojistas.
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