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Ciclista morre atropelada na Paulista

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Uma ciclista de 33 anos morreu atropelada por um ônibus na manhã de ontem, na avenida Paulista, na região central de São Paulo.

 

Juliana Ingrid Dias, bióloga e pesquisadora do hospital Sírio Libanês, seguia de bicicleta de sua casa, na Vila Mariana, para o trabalho, na Bela Vista, quando o motorista de um carro a “fechou” na avenida Paulista no sentido Consolação. Eram 9h5

. “Ela estava entre a primeira e a segunda faixa da avenida. Quando o motorista do carro a “fechou’. Ela gritou: “Cuidado comigo’”, relatou o estudante Mateo Augusto, 27 anos, que testemunhou o acidente na esquina da avenida Paulista com a rua Pamplona.

 

Logo na sequência, um ônibus que estava na terceira faixa da direita para a esquerda mudou bruscamente para a segunda faixa e “fechou” a ciclista de novo. “Ela gritou: ‘Olha eu aqui” e gesticulou, o ônibus veio de novo para cima, parecia que queria bater intencionalmente nela, mas ela perdeu o equilíbrio e caiu”, afirmou o estudante Augusto, que também é ciclista e é a principal testemunha do acidente.

 

Quando estava no chão, um segundo ônibus passou com a roda traseira sobre sua cabeça. Juliana morreu na hora. Segundo duas testemunhas e a Polícia Militar, a bióloga ainda foi arrastado por cerca de quatro metros antes do veículo parar.

 

O motorista do ônibus que a atropelou não teve o nome divulgado pela polícia. Em seu depoimento no 78.º DP (Jardins), ele afirmou que não viu a mulher pelo retrovisor, que trafegava lentamente e que só percebeu o acidente quando sentiu o movimento na roda traseira do veículo. Ele deverá ser indiciado sob a suspeita de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.

 

Assim que percebeu que havia atropelado uma pessoa o motorista desceu do ônibus e tentou socorrê-la. Antes, porém, ele anotou a placa e o prefixo do outro ônibus que “fechou” a ciclista.

 

São esses dados que vão ajudar a polícia a identificar o motorista do outro ônibus, que deverá ser investigado como um dos responsáveis pela morte da ciclista.

 

O acidente que matou Juliana aconteceu a poucos metros do local onde outra ciclista morreu, em janeiro de 2

9. Na ocasião, a vítima foi a massagista Márcia Regina de Andrade Prado, 4

anos.

 

Cicloativistas instalaram uma “ghost bike” (bicicleta branca) na calçada em frente a esse ponto para lembrar da morte de Márcia. Ontem, estavam previstos um protesto e a instalação de outra bicicleta no mesmo lugar para lembrar da ciclista Juliana.

 

Conforme três amigos dela, a bióloga é natural de São José dos Campos, vivia na capital havia um ano e todos os dias ia de casa para o trabalho de bicicleta. Trabalhava com pesquisas de células tronco e participava de movimentos que incentivavam o plantio de árvores.

 

 

 

Cicloativistas protestam

 

São Paulo - “Infelizmente precisa morrer gente para todos perceberem o desrespeito que há com o ciclista”, lamentou Maurício Longuini, 34 anos, um dos 1.5

ciclistas que fizeram um protesto na noite de ontem na avenida Paulista, em São Paulo, após a morte da bióloga Juliana Dias. O grupo se concentrou na Praça dos Ciclistas, na altura da Rua Bela Cintra, e seguiu até o local do acidente.

 

“O motorista profissional é nosso pior inimigo. Taxistas e motoristas de ônibus são os que mais desrespeitam ciclistas. Como eles estão trabalhando, acham que pode tudo”, afirmou o cicloativista William Silva. Segundo ele, em São Paulo há cerca de 7 mil cicloativistas, que não encontram espaços nas ruas da cidade. “A Paulista é uma das vias de risco máximo ao ciclista, assim como a 23 de Março”.

 

Toda última sexta-feira do mês, o grupo já organiza uma bicicletada na Paulista, para lembrar vítimas de acidentes e reivindicar ciclovias e mais respeito no trânsito. Para eles, faltam vias exclusivas em São Paulo. 

 

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