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Bauru registra média de sete empresas abertas a cada dia

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Quem mora em Bauru ou costuma vir à cidade com alguma frequência conhece a vitalidade do comércio local, que oferece uma gama variada de opções ao público consumidor. Levantamento feito pelo escritório regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp/Bauru) a pedido do JC reforça a característica de polo regional do setor. No ano passado, uma média de sete empresas foram abertas por dia em Bauru, número considerado como o resultado do potencial econômico da cidade para especialistas.

De acordo com os dados da Jucesp, no ano passado foram abertas 1.801 novas empresas, sendo que, deste total, 1.331 são médias (ME), 290 são comuns e 180 são de pequeno porte (EPP). Em 2010, o número de novos empreendimentos registrados na cidade foi de 1.701, o que significa um crescimento de 6% no período analisado.

 

Entretanto, o nível de mortalidade - que mede o período de funcionamento das empresas - aumentou 13% se comparados os anos de 2010 e 2011. Em 2009 o número de empreendimentos encerrados foi de 684, subindo para 826 no ano seguinte e, no ano passado, para 936. 

 

O administrador do escritório regional da Jucesp em Bauru, Paulo Roberto Martinello, avalia que muitas destas empresas vieram perdendo forças ao longo de um período, e não necessariamente nos anos a que se referem as estatísticas. “Essas empresas vêm fechando ao longo dos anos, são empresas antigas. Não quer dizer que ela foi aberta em um desses anos, especificamente”.

 

 

 

Por que fecham?

 

Martinello pontua que, se o negócio começa a “andar mal”, é preciso muita cautela. Se a administração não for efetuada com uma base sólida e o mercado não for atingido, as chances da empresa “morrer” em um curto período são grandes. 

 

“Quando uma pessoa abre uma empresa e não dá certo, ela geralmente deixa por isso mesmo, não procura fechar (oficialmente) essa empresa. O governo instituiu a ME, e na ME são dispensadas as certidões negativas do INSS, Receita Federal conjunta com a da Procuradoria e a do FGTS, o que torna mais fácil fazer o encerramento formal de uma empresa. Então, essa pessoa vê aí uma oportunidade de limpar o seu nome enquanto pessoa física”, diz Martinello.

 

Apesar da alta taxa de mortalidade de empresas, o administrador do escritório regional da Jucesp avalia que Bauru está em um momento bom para o comércio. “A média de abertura de sete empresas por dia, no meu ponto de vista, tem a ver com o momento bom que vive Bauru. Já tivemos momentos complicados na administração municipal e, agora que melhorou, as pessoas confiam mais no potencial da cidade”.

 

 

 

Como abrir seu próprio negócio

 

Para abrir empresas de grande, médio e pequeno portes, é necessário primeiro fazer uma análise com um contador, orienta o administrador do escritório regional da Jucesp de Bauru, Paulo Roberto Martinello. 

 

O segundo passo é procurar a Jucesp, que dará todas as orientações para o registro de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) junto à Receita Federal, inscrições estaduais e municipais e o Número de Inscrição e Registro de Empresas (Nire).

 

“Depois de avaliar com um contador se o empreendimento tem chances de dar certo, a pessoa pode procurar a Jucesp que nós daremos todo o encaminhamento para a retirada de todas as certidões”, destacou Martinello.

 

A Jucesp de Bauru atende de segunda a sexta-feira das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h. O endereço é rua Araújo Leite, 25-15, e o telefone para contato (14) 3234-5475.

 

 

 

Perfil

 

O economista e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, avalia como positiva a quantidade de empresas abertas diariamente na cidade. “É um número que me surpreende positivamente. A cidade tem hoje uma dinâmica própria de atração de investimentos e a gente percebe que, em função do perfil econômico de Bauru, sentimos muito pouco a questão da crise maior e estamos em um bom momento para investimentos”.

 

Para Cafeo, há uma demonstração clara do perfil de espírito empreendedor na cidade, que já é comum do brasileiro. “As pessoas em outros países preferem fazer carreiras em outras empresas e no Brasil, o perfil é de gente que quer operar, implementar, então isso é muito positivo”, acrescentou.

 

O economista alerta a população para que, ao mesmo tempo em que existe a vontade de se criar uma empresa, deve haver também planejamento. “As empresas devem ter seus objetivos com clareza e se preparar financeiramente e em relação à sua estrutura, porque infelizmente, metade das empresas que abrem acaba não sobrevivendo nos dois primeiros anos”, finalizou.

 

 

 

Abertura de pequenos negócios está mais fácil

 

Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), atualmente Bauru conta com 4.520 Empreendedores Individuais (EIs), sendo que as regras para o registro desses empresários começaram a vigorar em julho de 2009.

 

No ano passado, o JC noticiou que Bauru era a 13ª cidade no ranking dos empreendedores individuais do Estado. Consultores do Sebrae avaliaram, na ocasião, que a expressiva colocação do município foi resultado da agilidade no processo de implantação do Estatuto das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, que sofreu alterações em 2008. Uma delas foi a criação do programa MEI (Microempreendedor Individual), que passou recentemente a ser chamado apenas de EI (Empreendedor Individual). 

 

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