O presidente do Conselho Municipal de Turismo de Agudos (Comtur), Fernando Fesa Nazioeeno, é um verdadeiro ‘desbravador’ de trilhas da região. Há 13 anos ele usa sua bicicleta para fazer novos caminhos e descobrir preciosos ‘presentes’ da natureza que possam ser apreciados por aqueles que curtem andar de bike, de jipe ou de veículo 4x4.
A primeira etapa do ‘trabalho’ é fazer um levantamento pelo Google, que contém fotos via satélite, comenta. “Faço uma rota imaginária. Pego minha bicicleta e vou. No trajeto vou conhecendo os proprietários das terras, porque muitas das trilhas passam por propriedades particulares. Alguns deles se tornam ponto de apoio, lugar que oferece água aos ciclistas e jipeiros. Onde podemos fazer uma parada de descanso.”
Com a ajuda do GPS ele vai chegando a cachoeiras e lugares onde a natureza fez questão de esbanjar a beleza. “São sete cachoeiras ainda bem conservadas. Há trilhas para todos os tipos de ciclista e jipeiros. Temos trilhas com 3
, 4
, 6
e até 1
quilômetros. Algumas ultrapassam o limite de Agudos, chegando a Piratininga e cidades vizinhas,” conta.
Dos rabiscos que poderia ser batizado de pré-mapas vão surgir mapas oficiais, promete o presidente do Comtur. “Vamos transformar as trilhas em atrações turísticas. Locais determinados por onde o turista poderá passear de bike ou de veículo com tração 4x4. Eu acredito que, ainda neste primeiro semestre do ano, vamos concluir esse trabalho.”
A preocupação com a preservação da natureza é um dos itens que não pode faltar no trabalho de Nazioeeno. “Por onde passamos não pode ficar nenhum ‘rastro’, a não ser do veículo. Latinhas, garrafas, lixo de qualquer espécie são recolhidos,” diz.
Pedal noturno
Desde 1998, quando começou a pedalar que Nazioeeno obteve autorização para entrar na propriedade da Duratex, localizada no município de Agudos. A trilha tem 5
quilômetros, por isso é importante que o ciclista esteja bem preparado. A saída é do Centro da cidade e só por estradas de terra se chega à propriedade.
Após a identificação de praxe, o grupo guiado por ele entra na Duratex e começa a desfrutar das belezas da natureza. “São 16 mil hectares de mata. Visitamos a pedreira de Itatingui (bairro de Pederneiras) e chegamos à cachoeira do Macaco. Já fiz o trajeto sozinho, mas normalmente vamos em grupo de 12 ou 13 pessoas.”
Pelo trajeto é possível ver espécies de animais não mais encontradas nos centros urbanos. “Lobo-guará, Tamanduá, macacos de várias raças e não raras vezes vemos rastro de onça, animal que eu acredito que ainda viva na mata da região,” conta o ‘desbravador’ de trilhas.
Trilhas de Botucatu exigem veículo preparado
Quem gosta de fazer trilha pesada com muitos obstáculos não pode deixar de conhecer as trilhas de Botucatu (1
quilômetros de Bauru). É lógico que o visitante também terá o prazer de desfrutar de paisagens indescritíveis e, por que não dizer, inesquecíveis.
Embora os mapas não estejam disponíveis e as trilhas ainda não façam parte oficialmente de atrativos turísticos, o trabalho é informal, há muito o que aproveitar da Cuesta e as formações rochosas que existem nessa região.
Os integrantes do Jeep Club de Botucatu são enfáticos em fazer um alerta a todos aqueles que gostam de se aventurar, de usar em excesso a adrenalina. As trilhas são perigosas e exigem veículo preparado, pessoa habilitada e acompanhamento de pessoas que conhecem o espaço, caso contrário, podem ocorrer situações inesperadas, surpresas desagradáveis.
“A Cuesta tem barro, barranco, erosões. São trilhas perigosas. Nós não cobramos nada para acompanhar e disponibilizamos nosso know how para que o visitante tenha momentos inesquecíveis e de muito prazer”, diz Renato Martins, integrante do Jeep Club. “Esse é dos motivos de não divulgarmos a localização das trilhas. Temos todas no nosso GPS,” afirma.
De acordo com ele, são mais de 1
trilhas identificadas na Cuesta de Botucatu. “Cada uma delas tem um nome. Todas são batizadas por nós. Os motoqueiros e ciclistas dão outras denominações a elas. Estamos caminhando para um produto turístico, mas não temos nada oficial. Tem um pessoal trabalhando para isso. Uma pessoa está tentando abrir uma agência. Tem outra, que leva visitantes para passeio de jipe. Outro, tentou levar os visitantes de ônibus, porém o veículo não entrou na trilha, mas é tudo informal”, avisa.
Botucatu vai realizar provas de trilhas e desafio 4x4
Em abril, Botucatu (1
quilômetros de Bauru) realiza o evento Trilhas e Desafio 4x4. A programação começa no sábado (dia 14), às 9h, com abertura do Desafio 4x4, provas de obstáculos. No domingo (dia 15), às 8h3
, está agendada a saída para a trilha pesada e, às 9h, trilha leve.
O evento é voltado a todos que possuam veículo com tração nas quatro rodas. Para os iniciantes com veículos menos preparados a indicação é a trilha leve. Já para os veículos mais preparados - aqueles com pneus grandes e desenho de trilha, guincho, e outros acessórios off-road - passarão por trechos em trilhas pesadas com alta dificuldade.
A trilha é composta por obstáculos feitos pela própria natureza com buracos e inclinações em barrancos; o percurso será em torno de 5 a 8 km de muito barro, pedra e emoção.
O desafio 4x4 é feito em duplas de jipes numa pista montada pela organização, com marcações de limites, passando tais marcações haverá penalidade, ou seja, a perda de pontos. A pista é composta por poço de lama, pedras, pneus, caixa de ovo (buracos imitando uma caixa de ovos) e inclinação lateral. Em caso de empate na pontuação o menor tempo ganha a prova.
Enfrentando muito barro
A ‘Trilha do Padre’, denominação dos jipeiros, tem de 8 a 1
quilômetros e exige veículo com tração nas quatro rodas é indicada para quem quer muito barro nas rodas e tem paciência para enfrentar obstáculos. A trilha recebeu esse nome porque o caminho passa do lado do sítio do padre Orestes, comenta Renato Martins.
“Essa trilha é marcada por muito barro e erosões, por isso, exige veículo preparado, com tração nas quatro rodas. É aconselhável entrar em contato conosco para não ter decepções,” explica Martins.
Segundo ele, logo na entrada da trilha tem muito barro. “Depois vem uma planície e então começa a subida, contornando a montanha”. O sacrifício da subida é compensado com aquilo que o visitante vai ver quando chega no mirante da Cuesta.
“Dali é possível visualizar as cidades de Pardinho, Bofete e toda a cadeia de montanhas rochosas, porque esse passeio faz o acompanhamento da lateral do morro. A trilha tem cerca de quatro horas de duração. Só é feita nos finais de semana, com o nosso acompanhamento.”
Erosões pelo caminho
A ‘Trilha do Linhão’ recebeu esse nome porque passa por baixo da rede de alta tensão. Tem de 1
a 15 quilômetros. Até a metade dela é possível chegar com um veículo normal, mas deste local em diante é preciso ter carro preparado, os 4x4. “As dificuldades estão contidas em cerca de dois quilômetros específicos, porque tem que atravessar um rio com cerca de três metros de largura. O rio não é fundo, mas precisa conhecer a situação para fazer a travessia tranquila. Devem ter uns 3
centímetros de água. Na sequência, a trilha passa por duas fazendas abandonadas, onde antigamente tinha uma criação de búfalos. Nesse trecho tem muita erosão. A chuva derruba o barranco e nós entramos neles.”
Montanhas que se transformaram em “gigantes deitados”
A trilha do óleo proporciona a visualização da uma cadeia de montanhas e paisagens difíceis de descrever, imagens maravilhosas que jamais serão esquecidas por aqueles que já tiveram a oportunidade de conhecer, enfatiza Renato Martins.
“É possível ver a Cuesta inteira. O gigante deitado. É uma cadeia de montanhas que representa o gigante. Você consegue enxergar a cabeça, barriga e outras partes do corpo do gigante. São montanhas rochosas que se transformaram.”
Essa trilha tem de 1
a 15 quilômetros de descida. “Para descer não tem problema. A subida é o mesmo caminho mas como tem muita pedra solta dificulta o acesso por carro comum. Só sobem jipes e veículos 4x4. A trilha é em volta da montanha.”
Serviços: Os jipeiros fazem o acompanhamento de visitantes uma vez por mês. O próximo ainda não está agendado. Informações pelos telefones: (14) 9775-1
86 (Júlio), (14) 8112-6114 (Adriano) e (14) 9766-6937 (Renato).
Programação
Sábado 14/4
7h3
- Encontro no local (inscrição e vistoria dos jipes)
9h - Abertura das provas de Desafio 4x4 (Provas de obstáculos)
Domingo 15/4
7h3
- Encontro no local (inscrição e seleção dos jipes)
8h3
- Saída para Trilha Pesada (Trilha do Japonês
Subindo)
9h - Saída para Trilha Leve (Trilha do Padre Subindo)