Através deste jornal e de outros canais de comunicação, estamos diante de uma era catastrófica, no que tange a questão do trânsito nas cidades. Hoje (02/03) uma ciclista morreu em plena Avenida Paulista, após a colisão com um ônibus. Ontem (01/03) um ciclista foi internado em Bauru, após colisão com um carro. Quatro pessoas morreram em Bauru somente este ano em acidentes com motocicletas. Dezenas de acidentes de trânsito em Bauru, na região, no Estado... motoristas que não respeitam a sinalização, alguns dirigindo embriagados, outros tantos desatentos quando do acidente... Qual a causa desse alto número de acidentes? Começamos sempre culpando as autoridades públicas. Sim, as autoridades tem culpa, também. Em nossa cidade, a frota já ultrapassou os 200.000 veículos, praticamente um carro/moto para cada dois habitantes da cidade. Com as ofertas de concessionárias, somente as crianças e os jovens abaixo de 18 anos não têm o seu próprio meio de transporte. Com o aumento de veículos, não tivemos (em contrapartida) a construção de viadutos, de avenidas que pudessem oferecer uma melhora na fluidez do trânsito em Bauru. Pelo contrário: o que a prefeitura procura fazer (e com muito custo) é a manutenção das vias que hoje estão em funcionamento. É pouco. E o que dizer do transporte público urbano? É evidente que as pessoas procuram o seu próprio meio de transporte por questão de comodidade e status, mas se o transporte público estivesse funcionando de fato, creio que muitos optariam por ele. Os ônibus da cidade estão em um regular estado, mas o preço da tarifa ainda (creio) é caro, para os moldes de uma cidade do porte de Bauru. Ademais, a disposição dos ônibus é (ainda) equivocada, pois para algumas regiões da cidade o usuário precisa esperar de vinte a cinqüenta minutos no ponto de ônibus, isso quando não se tratar de final de semana, quando é impossível usar o ônibus em Bauru. Quanto aos ciclistas, coitados... são covardemente açoitados por ônibus, carros e motos, jogados sempre a direita da direita da via, a milímetros da guia. Os motociclistas, por sua vez, são criticados pelos condutores de carros e veículos maiores (os transformers) por infringirem as leis de trânsito, mas também estes mesmos veículos fecham constantemente os motociclistas, não tomam o devido cuidado de olhar no retrovisor antes de fazer uma conversão. No fim das contas, penso que todos somos responsáveis por essa enormidade de acidentes de trânsito que estão ocorrendo hoje, em nossa cidade. Os condutores de todas as categorias e espécies deveriam manejar seus veículos respeitando as sinalizações ou, na falta delas, utilizando o bom senso e a paciência. Sei que não é fácil, muitas vezes me pego estressado no trânsito (seja como pedestre ou como motorista) mas é o que nos resta. Afinal, se estamos saindo de um lugar para ir a algum outro, o importante é poder alcançar esse objetivo, não é? Devemos ser pacientes, uma hora chegamos lá!
O autor, Bruno Emmanuel Sanches, é cientista social