Política

DAE retorna ao debate na Câmara

Vinicius Lousada e Bruna Dias
| Tempo de leitura: 7 min

A tarde de ontem foi de duros ataques ao Departamento de Água e Esgoto (DAE), na sessão da Câmara Municipal de Bauru. O dia em que os parlamentares aprovaram o repasse de R$ 6 milhões à autarquia para investimentos em maquinário e abastecimento sucedeu um fim de semana de muitas reclamações e protesto pela falta de água em diversos bairros da cidade.

 

Nem mesmo a visita ao Legislativo do presidente do DAE, Fábio Lara, serviu para acalmar os ânimos da oposição, que endureceu ainda mais as críticas após a reunião, realizada durante o intervalo regimental da sessão. A presença do quarto homem a assumir a autarquia na administração Rodrigo Agostinho (PMDB) foi solicitada pelo líder do governo, Renato Purini (PMDB), em razão da votação do projeto. “O diálogo é sempre importante, pois precisamos de subsídios para defender o DAE”, avaliou o vereador.

 

A reação, porém, foi inversa. Contundente crítico dos problemas de vazamento de água, Moisés Rossi (PPS) afirmou que, se antes de falar com Lara estava preocupado com a autarquia, agora está desesperado. “Ele nomeou situações de desperdício de água tratada como se fossem absolutamente normais. Não podemos perder de 4

% a 5

% do que seria a fonte de renda do DAE”, pontuou.

 

Entre as situações de perdas apontadas por Lara, estavam as lavagens da estação de tratamento de água e as descargas para lavagem das redes. “Não necessariamente essas perdas significam vazamentos”, disse o presidente à imprensa.

 

José Roberto Segalla (DEM) escancarou que votaria no projeto para o repasse de R$ 6 milhões ao DAE sem a confiança de que o presidente e a autarquia sabiam o que estavam fazendo. “É uma questão de fé. Estamos com problema generalizado de falta de água mesmo chovendo toda semana. Imaginem se estivéssemos há 4

dias sem chuva?”. 

 

O vereador criticou também as constantes trocas no comando do departamento. “Não adianta mudar só o presidente”, observou.

 

Neste sentido, Marcelo Borges (PSDB) atacou o aparelhamento político no DAE, capitaneado pelo PR, dizendo que eram escolhidos diretores sem experiência, principalmente nas áreas técnicas.  “Não vejo solução a curto prazo. Nós estamos aprovando o repasse, sabendo que a autarquia tem dinheiro e teria ainda mais se não tivesse rompido o contrato de leitura de consumo com os Correios. O discurso do presidente é de quem assumiu agora, mas o prefeito, que comanda mesmo, está aí há mais de três anos”, opinou o tucano.

 

Fábio Lara fez questão de defender a sua equipe técnica e rebateu acusações de ausência de diálogo entre a presidência e os diretores. “Isso não existe. Nos reunimos quase diariamente e prezo muito por isso. Talvez falte um pouco de conhecimento por parte dos parlamentares. Por isso é positivo que estreitemos este canal de contato”, afirmou.

 

 

 

Dinheiro vai perfurar dois novos poços

 

Outra questão levantada pelos vereadores para a votação de ontem foi a falta de garantias de que os recursos repassados ao DAE fossem de fato direcionados para a perfuração de poços e renovação da frota da autarquia. Amarildo de Oliveira (PPS) chegou a reclamar de Fábio Lara pela ausência da apresentação de um projeto a curto, médio e longo prazo para a solução definitiva dos problemas.

 

No entanto, o presidente garantiu que metade dos exatos R$ 5,7 milhões vão perfurar os poços do Bauru XVI e da Nações 2, este no Parque Vitória Régia, até o final deste ano. “Sem esse dinheiro, não conseguiríamos fazer essas obras”, pontuou. No primeiro caso, porém, havia reserva de receitas para 2

11, mas a licitação para a contratação de empresa perfuradora fracassou e os recursos foram destinados para outro fim.

 

Para 2

13, Lara afirma que serão perfurados mais quatro poços. Outros dois entram em operação no prazo de 6

dias: Vila Cardia e Marambá. Esses poços já estão perfurados, mas ainda falta a instalação da rede elétrica, para qual também houve dificuldades no processo licitatório. Já o do Octávio Rasi, está em fase final de perfuração, sob a responsabilidade da construtora Rodobens, e deve ser entregue no mês de setembro.

 

No ano passado, o DAE admitiu ao Jornal da Cidade que Bauru apresentava déficit imediato de sete poços para a exploração de água.

 

 

 

Dinheiro vem, sim, do Refis

 

Após a reunião com o presidente Fábio Lara, vereadores como Marcelo Borges (PSDB), José Roberto Segalla (DEM), Chiara Ranieri (DEM) e Renato Purini (PMDB) disseram ter tranquilidade na aprovação do projeto, pois o texto do mesmo não remetia à sua origem nos recursos arrecadados no Refinanciamento Fiscal (Refis). 

 

“Li e reli para ter certeza que não havia qualquer passa moleque. Estranhei quando li na imprensa que esse dinheiro viria do Refis, pois o prefeito se comprometeu a destinar esse dinheiro ao Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE)”, afirmou Segalla.

 

No entanto, os vereadores estavam equivocados na interpretação da lei. Ao Jornal da Cidade, o secretário municipal de Finanças, Marcos Garcia, confirmou na noite de ontem que os R$ 5,7 milhões vieram do Refis, que arrecadou R$ 11 milhões, mas sofreu descontos destinados obrigatoriamente à Educação e à Saúde. “O projeto diz que se tratam de superávits financeiros de recursos próprios, que foram, por sua vez, viabilizados pelo Refis”, pontuou.

 

Portanto, do dinheiro arrecadado à vista pelo programa de refinanciamento da Prefeitura, não sobraram recursos para o FTE, como alegavam os parlamentares na sessão de ontem apesar das publicações do JC.

 

Vale lembrar também que os R$ 6 milhões destinados ao DAE pela Prefeitura serão abatidos da dívida de R$ 16 milhões do município junto à autarquia, definida a partir de encontro de contas, aprovado no final do ano passado pela Câmara Municipal. O vereador Amarildo de Oliveira (PPS) reclamou na sessão de ontem que o presidente Fábio Lara não soube informar o montante da dívida de grandes devedores junto à autarquia. “Eles não conhecem o valor e ainda vêm pedir dinheiro”, esbravejou.

 

 

 

Moradores ainda sofrem com falta de água

 

Muitos moradores bauruenses ainda sofrem com a falta de água, problema que se ‘arrasta’ de forma crônica pela cidade. Mesmo depois de terem feito um manifesto em uma Unidade de Reservação (UR) do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, localizada no Parque Santa Edwirges, na noite de anteontem, durante o dia de ontem as suas torneiras permaneceram secas.

 

Um dos reclamantes, Marcos Augusto dos Santos, 42 anos, construtor, contou ao JC que teve de buscar água na casa de sua cunhada no início da noite de ontem. “Isso é um absurdo. Eu ligo lá e eles dizem que não têm previsão para o abastecimento voltar ao normal. Todos aqui trabalham, eu, minha esposa, minha filha, e as outras vão para a escola. Nem na madrugada tem água”, criticou.

 

Elenice Gregori Polato, 52 anos, moradora da rua 25 no Vila Dutra, reclamou que também está sem água em sua casa há dias. “Eu moro com meu marido e dois filhos. Saio de manhã para trabalhar e quando volto não tem água. No domingo a água chegou na madrugada, mas é muito pouca e logo acabou. Acho que o DAE deveria consertar muitos vazamentos que existem pela cidade”, opinou.

 

O funcionário público estadual Paulo Henrique Martins, 45 anos, morador da quadra 1 da Alameda das Dálias, Parque Vista Alegre, em Bauru, reclama que todos os dias, às 18h ou 19h, começa a faltar água e só volta só na madrugada. “No final de semana fica mais tempo sem água. Acho que isso é menosprezar o contribuinte. Moro aqui há 2

anos, inclusive perto do reservatório, e nunca vi isso”.

 

De acordo com a assessoria de imprensa do DAE, a melhor solução para a região do Bauru 16, que abrange alguns bairros como Parque Jaraguá, Santa Edwirges, Nova Esperança, Vila Industrial, entre outros, é a perfuração de um novo poço. O edital de licitação deverá sair nos próximos dias.

 

A denúncia do Parque Vista Alegre não foi registrada no DAE, que afirmou não ter recebido nenhuma reclamação de falta de água no local. Entretanto, como, segundo o denunciante, o fato é frequente, uma viatura seria encaminhada ao endereço para constatar se não se trata de um problema localizado.

 

Com relação à reclamação do Vila Dutra, o DAE alerta para o consumo no verão, que aumenta naturalmente por conta do calor. Nos casos de interrupção no abastecimento público, o DAE oferece caminhões-pipa, mas segue uma ordem de prioridades: hospitais, postos de saúde, creches, escolas públicas, pessoas acamadas, entre outras. No caso da população em geral, a distribuição de água é feita em utensílios domésticos como baldes, bacias, dos consumidores. Os caminhões-pipa podem ser solicitados através do telefone

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