João Rosan |
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Lindo Lovizutto precisou recorrer ao caminhão-pipa do DAE para ter água em casa |
Sem água para cozinhar, tomar banho, e até para beber. Assim é a rotina de aproximadamente 50 mil bauruenses dos bairros Bauru XVI, Parque Jaraguá, Núcleo Nove de Julho, Parque Santa Edwirges e Vila Dutra. De acordo com Igor Beckmann Fournier, diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, a construção de cinco novos poços equacionarão melhor a distribuição de água. Mas enquanto isso, o problema permanece crônico.
O morador do Bauru XVI Lindo Lovizutto critica que a situação se arrasta há cerca de um mês. “Hoje (ontem) a água chegou de madrugada e às 9h já não tinha mais. Ficamos sempre dependendo de caminhão-pipa eu, minha esposa e meu cunhado. Esse problema se arrasta há mais ou menos um mês”, disse.
Atualmente, Bauru conta com 29 poços e 32 Unidades de Reservação (UR) funcionando normalmente. (veja quadro ao lado) Entretanto, a demanda da população que cresceu desenfreadamente, além de famílias que se desmembraram (filhos que deixam de morar com os pais, por exemplo), fizeram com que todo esse sistema de abastecimento se tornasse insuficiente.
Segundo Fournier, a instalação destes cinco novos poços no Bauru XVI, Jardim Marabá (já perfurado), Núcleo Octávio Rasi (já perfurado), Vila Cardia e Nações 2 (em estudo) equacionarão a distribuição de água nos bairros mais críticos e o problema tende a ser solucionado. Conforme noticiado pelo JC, na tarde de anteontem, foi aprovado na Câmara Municipal o adiantamento de R$ 6 milhões para o abastecimento.
“Na segunda-feira de manhã, a ETA já estava operando normalmente. O que acontece é que a cidade cresceu em um ritmo muito rápido e mesmo estando tudo funcionando normalmente não dá conta do consumo”.
Por que falta?
O caso do Bauru XVI é crítico e necessita de um poço (leia mais abaixo) para solucionar o problema da falta de água. Entretanto, muitos moradores questionam porquê falta água na Vila Dutra, por exemplo. Fournier explica que, como o consumo aumentou, é necessário efetuar manobras na rede de água, para que o abastecimento aconteça em toda a cidade.
“Eu tenho, em todos os reservatórios, um reservatório apoiado e um elevado. Para que todos os setores dos bairros recebam água, eu tenho esse conjunto de reservatórios atendendo a topografia do terreno. Tem parte mais alta e parte mais baixa do bairro. A parte mais alta é sempre atendida pelo reservatório elevado e a mais baixa pelo reservatório apoiado”.
A água que vai para o reservatório elevado, é bombeada pelo reservatório apoiado, que recebe a água primeiro. A população que recebe primeiro o abastecimento é a da parte baixa do bairro. Se esta consome mais, a água não consegue chegar ao reservatório elevado, na parte alta do bairro.
“A parte baixa acaba sendo privilegiada, e na parte alta falta água. Para que isso não aconteça, eu tenho que manobrar, ou seja, tenho que fechar a saída do reservatório apoiado, com isso falta água para a parte baixa, para o reservatório ganhar nível e assim abastecer o reservatório elevado. Esse dilema acontece mais de uma vez por dia”, destacou o diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE de Bauru.
Tudo isso culminou neste momento, segundo Fournier, por conta de investimentos que deveriam ser realizados no passado. “Esse é um problema que surgiu por conta da falta de investimento ao longo dos anos. Como houve a explosão do mercado imobiliário, a gente vive esse problema hoje”.
Previsões
Igor Beckmann Fournier, diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE de Bauru ressalta que, com a construção dos poços Bauru XVI, Jardim Marabá (já perfurado), Núcleo Octávio Rasi (já perfurado), Vila Cardia e, possivelmente Nações 2, o problema da falta de água deve acabar.
“O do Marabá e da Vila Cardia já estão concluídas as perfurações e o do Octávio Rasi também. No Rasi, o antigo com capacidade de vazão de 60 m³ por hora será desativado e o novo, com capacidade de 180 m³ por hora entrará em operação. Com o poço do Bauru XVI e o do Nações 2 o abastecimento equacionará”.
O DAE quer que os grandes novos empreendimentos de Bauru dividam os custeios e façam a perfuração dos poços, o que é mais justo e menos burocrático. “Uma empresa privada pode perfurar um poço em 90 dias, e nós temos muita burocracia. São aproximadamente seis novos poços para atender os novos empreendimentos da cidade que hoje já foram protocolados no DAE”.
A intenção é dividir os custeios. O empreendimento pagará o proporcional pelo consumo dos condomínios e o DAE pelo consumo da população em geral, que também usufruirá do poço.
O poço do Bauru XVI
Depois de aprovado o valor de R$ 6 mil na sessão de anteontem na sessão da Câmara Municipal, o ‘dilema’ do poço do Bauru XVI, que abastece principalmente os bairros: Nova Esperança, Eldorado 2, Parque Val de Palmas, Vila Industrial, Jardim Andorfato e Jardim Prudência, parece que chegará ao fim.
A licitação para a construção do poço foi aberta no final do ano passado. No entanto, dois entraves impediram que esta seguisse adiante e a obra fosse executada.
“Aconteceram dois problemas: os requisitos técnicos do edital, que uma empresa impugnou, e o outro era uma empresa contra a outra questionando os equipamentos que a outra tinha declarado e na realidade não atendia. Optamos então, por orientação do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), pela anulação”, disse Igor Beckmann Fournier, diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE de Bauru.
O processo de licitação para este poço deve ser aberto nos próximos dias, frisa Fournier. Assim que a licitação for aberta e a empresa contratada, a estimativa de tempo para a conclusão da obra é de seis meses.
‘Me sinto angustiado’, diz Rodrigo Agostinho
No início da noite de ontem, em uma conversa com a equipe de reportagem do JC, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse estar angustiado com a falta d’água na cidade.
“Me sinto angustiado, impotente, porque isso não é um simples interruptor que você vai lá e acende a luz. O que acontece é que a quantidade disponível na cidade hoje não é suficiente para atender todo mundo. A população aumentou muito e nós não estamos dando conta”.
Para o prefeito, a cidade cresceu diferente. Não são as pessoas de outras cidades que migram para Bauru, e sim muitas famílias que acabam se desmembrando. “Com muitos novos empreendimentos, o Minha Casa Minha Vida, em uma casa onde vivia uma família com dez pessoas, alguns vão desmembrando. Filhos que ainda moravam com os pais, por exemplo, vão constituir suas famílias em outro local e geram um novo consumo”, acrescentou.
Caminhões-pipa
Atualmente, o DAE opera com apenas quatro caminhões-pipa com capacidade de 6 mil litros de água cada um, para atender a toda a população bauruense. Ao ser questionado sobre a viabilidade de compra de outros veículos como este para otimizar o serviço, o diretor da Divisão de Apoio Operacionado do DAE, Fabiano Gavaldão, informou em nota: “Estamos dimensionando a necessidade para aquisição em função do valor disponibilizado e caminhão-pipa está no topo da lista”.
Nos casos de interrupção no abastecimento de água, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru oferece caminhões-pipa, mas segue uma ordem de prioridades: hospitais, postos de saúde, creches, escolas públicas, pessoas acamadas, entre outras.
No caso da população em geral, a distribuição de água é feita em utensílios domésticos como baldes e bacias dos próprios consumidores. Os caminhões-pipa podem ser solicitados através do telefone 0800-771-0195 (ligação gratuita).
Segundo a assessoria de imprensa do DAE, no último domingo foram registradas 67 queixas de falta de água, e até as 17h de anteontem outras 90.
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