Pelo conceito da Organização Mundial de Saúde (OMS), a palavra saúde envolve o "bem-estar físico, mental e social". Não basta apenas o nosso corpo não evidenciar sinais de doença. Em Bauru, com todos os senões divulgados diariamente na imprensa, temos os hospitais Beneficência Portuguesa, de Base, Unimed, Estadual e Amaral de Carvalho. Os postos de saúde e pronto-socorros, consultórios, laboratórios de análises clínicas e de exames para diagnóstico, também exercem papel fundamental para alívio das dores da população. A batalha diária travada pelos profissionais da saúde, pessoal auxiliar e funcionários contra as doenças é visível. Poderia ser melhor se as verbas chegassem e fossem aplicadas corretamente.
No que diz respeito à saúde bucal, temos a Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo, comemorando em maio deste ano seu jubileu de ouro de instalação, e representando significativamente uma geradora de profissionais nacionais e internacionais, dedicados à clínica particular, órgãos públicos, pesquisadores e professores ali formados que carregam e propagam o seu DNA para outras instituições de ensino na cidade, no estado, no país e internacionalmente. Longe de acabar com os problemas bucais desta cidade, é incontestável a melhora da qualidade de vida de sua população tanto no âmbito clínico, quanto na alta conscientização desta privilegiada população. A Campanha da Fraternidade deste ano, desenvolvida pela Igreja Católica, sobre o tema "Saúde para todos", vai além das clínicas e laboratórios, fazendo reflexões sobre o estágio atual e como pode ser melhorado esses atendimentos.
Confrontando com o conceito da OMS, temos também que refletir sobre o bem estar mental e social. Dá para aprovar as condições sub-humanas que vivem nossos irmãos, que por necessidade e não por vontade, orbitam na periferia desta grande cidade, desprovidos de saneamento básico, falta de água, de condições financeiras para uma consulta e aquisição dos remédios prescritos pelos médicos? E a parte educacional, como estressam os professores que trabalham em condições inferiores às mínimas exigidas para cumprirem seu papel de educadores e formadores do futuro desta nação? Como pode alguém chegar em sua casa, com as dificuldades dos meios de transporte, ruas despavimentadas, desprovidas de iluminação adequada e dormir tranquilamente, após um árduo dia de trabalho, com a insegurança atuais? A cabeça "esfria" sabendo que as despesas são sempre maiores que a receita, e que poderia ser melhor se as autoridades destinassem os devidos repasses das verbas?
Na Alemanha, a educação desde a básica até a universitária, o sistema de saúde e de transporte, são exigidos pela população que pagam seus impostos e têm a contrapartida exemplarmente, mesmo após as dificuldades do pós-guerra. Assistimos atônitos ao grande número de empreendimentos verticais, fazendo as seguintes contas: um conjunto de 3 a 4 terrenos servirá de base para a construção de um prédio de 15 andares (em média) com 4 apartamentos em cada andar, habitado em média por 4 moradores. São aproximadamente 240 pessoas, num espaço consumindo água, energia elétrica, alterando o fluxo de veículos, de estabelecimentos comerciais que ali orbitarão e a "minha" preocupante observação de falta visível de obras no sistema de coleta de esgotos, que desembocarão em um rio sem o devido tratamento prévio que a flora aquática tem direito e que repercute diretamente para a população, constatáveis nas doenças oriundas desse descompasso? Até que ponto interesses políticos sobreporão o conceito de saúde para todos? Brevemente, teremos eleições e avaliaremos a viabilidade das propostas dos candidatos, que, com belos discursos, proferem soluções para todas as necessidades da população, mas que após a sua posse, passam a ter uma amnésia dilacerante. Vamos listar as nossas visões de necessidades gerais e estudar propostas dos candidatos para exercermos a devida e necessária pressão sobre suas promessas pré-eleitorais
O autor, Arnaldo Pinzan, é professor da FOB-USP, 2º secretário do Lions Clube de Bauru Centro