Brasília - Um dia após a confirmação de que a economia brasileira desacelerou no ano passado e da promessa do governo de adotar uma “ação mais forte” para retomar o crescimento, o Banco Central cortou o juro em
,75 ponto porcentual, para 9,75% ao ano. Assim, a taxa Selic volta à casa de um dígito pela primeira vez desde o início de junho de 2
1
. A decisão colabora no esforço de tentar reduzir a entrada de dólares no País, mas pode aumentar a urgência do debate sobre mudanças na regra da rentabilidade da poupança.
A decisão não foi unânime: cinco diretores do BC votaram pela redução de
,75 ponto e dois optaram por um corte menor, de
,5
ponto. O atual ciclo de redução do juro foi iniciado em agosto do ano passado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Desde então, a taxa Selic havia caído 2 pontos e sempre em doses de
,5
ponto. Agora, portanto, a taxa acumula queda de 2,75 pontos no período. O corte de ontem é o maior desde junho de 2
9, quando a taxa havia caído 1 ponto. Além disso, essa é a segunda vez que o juro fica na casa de um dígito. A primeira vez foi entre os meses de junho de 2
9 e 2
1
, quando a Selic chegou ao mínimo histórico de 8,75%. A maioria dos bancos apostava em corte menor, de
,5
ponto. Nos últimos dias, porém, dados frustrantes do crescimento da economia e sinais repetidos de preocupação do governo com a entrada de dólares fizeram com que o mercado de juros futuros começasse a trabalhar com a hipótese de redução mais forte. Anteontem, por exemplo, os negócios desse segmento indicaram que a maioria dos investidores apostava em corte de
,75 ponto.
Efeito PIB
Os argumentos para reforçar a dose do corte de juros vieram à tona nas últimas semanas. O fato mais impactante veio na terça-feira, quando foi anunciado que a economia cresceu 2,7% em 2
11, pior que o previsto pelo governo. Outros dados também ficaram aquém, como a produção industrial e a venda de veículos. Por isso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu reagir.
A necessidade dessa ação ganha tom de urgência quando se coloca na mesa a estratégia de muitos países ricos que têm aumentado a oferta de dinheiro na praça. Com juros próximos de zero, Estados Unidos, Europa e Japão já injetaram US$ 8,8 trilhões na economia para tentar salvar bancos e incentivar a economia. Parte desse dinheiro migra para países como o Brasil atrás de juros.