Marília - A renúncia do prefeito de Marília, Mário Bulgareli (PDT), na segunda-feira não paralisa as investigações do Ministério Público (MP) sobre o esquema que ficou conhecido como “Máfia das Merendas”. A informação foi prestada em nota expedida pelo MP.
Em dezembro de 2
11 a Justiça concedeu uma liminar na ação civil pública movida pelo MP e suspendeu o contrato firmado entre a Prefeitura e a empresa SP Alimentação.
A liminar também decretou a indisponibilidade dos bens dos ex-prefeitos Mário Bulgareli (à época prefeito) e Abelardo Guimarães Camarinha, dos secretários municipais Nelson Virigili Grancieri e Carlos Umberto Garrosino, da assessora parlamentar Marildes Lavigni da Silva Miosi, e dos funcionários da SP Alimentação e Serviços Eloizo Gomes Afonso Durães, Antonio Santos Sarahan, Olésio Magno de Carvalho e Silvio Marques.
Nelson Grancieri, que era chefe de gabinete e ex-secretário da Fazenda de Mario Bulgareli, chegou a ser preso após uma operação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – Núcleo Bauru, e pela Promotoria de Marília, em conjunto com a Polícia Federal. Ele confessou o pagamento de propinas com aval do então prefeito Mário Bulgareli, segundo o MP. Em sua residência foi apreendido um pen drive com a contabilidade da propina. Desde o ano de 2
3, quando José Abelardo Camarinha era prefeito de Marília, a SP Alimentação tem contrato para fornecimento de merenda escolar nas escolas do município. Na maioria das vezes a prorrogação do contrato em Marília se deu sem o devido procedimento licitatório.
De acordo com a ação proposta em dezembro, agentes públicos e empresários do setor de alimentação formavam cartéis, fraudavam licitações, praticavam corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e outros ilícitos, num esquema de criminalidade organizada.
Mario Bulgareli renunciou ao cargo alegando problemas de saúde. Na segunda-feira os vereadores votariam dois pedidos de abertura de Comissão Processante contra ele, mas Bulgareli apresentou a renúncia e os parlamentares decidiram arquivar os pedidos. As investigações continuam por meio de inquéritos civis e policiais já instaurados, segundo o MP.