Começa hoje a 14ª Festa do Peão do Mary Dota. Para garantir a segurança da população, principalmente fora do espaço do evento, já que em seu interior haverá uma equipe de segurança privada, a Polícia Militar (PM) de Bauru disponibilizará mais de 2
policiais por dia. O evento segue até domingo.
De acordo com o capitão Alan Terra, o comando territorial também contará com o apoio de toda a equipe de Força Tática com a Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), Cavalaria, Canil e viaturas de quatro rodas. “Como a expectativa é de público entre 2.5
e 3 mil pessoas, reforçaremos a segurança. A equipe do Pelotão de Trânsito também estará no local no intuito de organizar o trânsito e manter a tranquilidade dos moradores”.
A PM pede à população que também esteja atenta aos locais de estacionamento, principalmente os sem iluminação. “A gente sempre pede que a população não estacione em lugares ermos e sempre olhe as portas e janelas dos veículos, principalmente o porta-malas”, destaca.
Terra pontua que haverá um ponto de acesso principal ao local e outros emergenciais, que passaram por fiscalização da PM na tarde de ontem. “Na sexta e no sábado o número de policiais poderá aumentar de acordo com o número de frequentadores e volume de dinheiro, já que a entrada será paga”.
Além da escola de samba Tradição da Zona Leste, que levará bateria, mestre-sala e porta-bandeira, rainha e rei Momo para alegrar a noite de hoje a partir das 2
h, também se apresentará a banda sertaneja Manos Country. A entrada será um quilo de alimento não perecível e a arrecadação será revertida a entidades assistenciais de Bauru.
Na sexta, sábado e domingo sobem ao palco, respectivamente, as duplas Zé Roberto e Luciano, o destaque Tanatã e Luã e André e Mariano. Nesses dias a entrada custará R$ 1
,
e R$ 15,
.
A festa contará também com prova de tambores e cerca de 3
montarias com peões convidados, que levarão prêmios que incluem carros e motos. A 14ª Festa do Peão do Mary Dota será realizada de hoje a domingo na avenida Doutor Marcos de Paula Raphael.
O protesto
A Festa do Peão do Mary Dota não agradou membros de Organizações Não-Governamentais (ONGs), que organizaram um protesto em frente à Prefeitura Municipal na tarde de ontem criticando a prática de montaria em bois e cavalos, que julgam como maus-tratos.
Com frases como “O Mary Dota merece espetáculo muito melhor do que rodeio”, eles permaneceram quase a tarde toda à espera do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para pedir a anulação do evento.
“O nosso objetivo é falar com o prefeito. É uma festa cruel. Ao invés de eles gastarem o dinheiro do patrocínio com isso, poderiam ter destinado a políticas públicas de proteção aos animais como, por exemplo, a castração”, criticou Martha Caputo, do Fórum Empresarial de Responsabilidade Social e Sustentabilidade de Bauru. “Nós achamos um absurdo um prefeito ambientalista aceitar isso”, disse Lilian Verge, da ONG Vidadigna.
O prefeito e a organização
Em conversa com a equipe de reportagem do JC na noite de ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho achou natural a manifestação e disse respeitar a atitude. Esclareceu também que o rodeio não é uma iniciativa da prefeitura, e sim de uma empresa especializada no ramo.
“A prefeitura, através da Secretaria Municipal de Cultura, entrou em parceria com a realização do rodeio, para que houvesse a oportunidade de um ou dois dias a entrada fosse gratuita, então pagou o custeio dos shows destes dias. Eu não sou fã de rodeio, o que acontece é que o rodeio é regularizado por uma lei federal. Nós aceitamos desde que tenha a presença de um veterinário da prefeitura fiscalizando as boas condições dos animais”.
Em nota, Willian Rufato, presidente da Festa do Peão do Mary Dota, disse que entende a preocupação das ONGs protetoras dos animais, já que durante um bom tempo, os rodeios eram realizados de forma amadora, sem nenhum tipo de preocupação com o bem-estar dos animais.
Um dos itens usados nas montarias mais questionados é o sedem. Rufato afirma que esse equipamento, confeccionado em algodão, é colocado ao redor da área abdominal do animal e serve com um sinal de que “é hora de pular”. Diz ainda que o equipamento não toca os genitais dos animais e nunca é apertado o suficiente para causar lesão ou dor.
Rufato frisa que, além dos profissionais da prefeitura, os organizadores disponibilizam um veterinário particular para acompanhar as montarias. Antes e após cada montaria, o animal é vistoriado e caso se verifique algum machucado, a PM é acionada e um BO é registrado contra o peão, que também é desclassificado.