Aliados históricos, PSDB e DEM podem não estar juntos nas eleições municipais deste ano, em Bauru. A informação é do presidente Dudu Ranieri (DEM) e da vereadora Chiara Ranieri (DEM), favorita do partido para a disputa à Prefeitura de Bauru. O fator responsável pelo possível rompimento da aliança seria a insistência dos tucanos na pré-candidatura do ex-comandante da Polícia Militar, Elizeu Eclair (PSDB).
Pai e filha demistas afirmam respeitar a figura e a história do coronel reformado, mas não acreditam no potencial eleitoral do pré-candidato tucano, que nunca concorreu em pleitos anteriores. “O DEM não se incomodaria em indicar um vice. Isso nunca foi problema. No entanto, temos que estar juntos de quem pelo menos tenha chance de ganhar”, disparou a vereadora.
Na prática, Chiara e Dudu acreditam que o partido tem condições de lançar candidatura própria com mais chances de sucesso que a de Eclair. “Nós queremos levar essa eleição para o segundo turno, mesmo que a gente não consiga estar junto de outros partidos”, disse o presidente, não descartando ‘chapa pura’.
A expectativa é de que uma reunião política junto ao secretário estadual do Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia (DEM), agendada para a próxima segunda-feira em Bauru, aponte os caminhos do partido na cidade. Deputado federal licenciado, Garcia é pré-candidato a prefeito na cidade de São Paulo. “Nós esperamos que ele apresente subsídios que nos deem mais segurança para encarar essa eleição”, afirmou Dudu.
A vereadora diz confiar na possibilidade de alianças com outras siglas – teoricamente - oposicionistas, como o PV, PPS e até o PP. Segundo Chiara, os tucanos precisam deixar mais claro quais suas intenções em relação à coligação com o DEM.
Isso porque o presidente do PSDB, Marcelo Borges, tem mantido conversas constantes com o partido. Na última segunda-feira, por exemplo, o vereador e Chiara discutiram as eleições por mais de uma hora, a portas fechadas, ao fim da sessão legislativa, na Câmara Municipal.
O tucano, porém, tem evitado comentar as articulações político-partidárias publicamente, alegando ainda estar cedo para decisões. No entanto, Borges reforça a importância de discutir com todas as legendas oposicionistas, mas segue enfatizando que o PSDB tem Eclair como seu nome para a eleição majoritária. “Não temos porque ter pressa”, tergiversou.
Indicar vice é premissa básica para o PTB
Enquanto o presidente tucano, Marcelo Borges, mantém o diálogo com o DEM e outros partidos, o próprio Elizeu Eclair tem trabalhado a fim de viabilizar sua candidatura ao Palácio das Cerejeiras.
O pré-candidato já está reivindicando o apoio da militância do PSDB e investimentos financeiros para a sua campanha. O principal passo, porém, tem sido a articulação junto ao PTB, de Ricardo Oliveira.
Eclair já declarou simpatia ao nome do empresário Toninho Gimenez (PTB) para ocupar o posto de vice de sua chapa. Além disso, o presidente do PTB garantiu ao Jornal da Cidade que a aproximação entre as siglas tem como premissa essa indicação. “É um fator que pesa bastante, pois há diretrizes estaduais para que nosso partido lance o máximo possível de candidaturas majoritárias. Agora, estamos em fase de definições”, contou Ricardo.
PV, PPS e PP podem migrar para o governo
Todos negam e ninguém confirma. No entanto, cresceram os rumores de que alguns partidos de oposição possam vir a fortalecer a base de apoio do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) nas eleições de outubro.
Clodoaldo Gazzetta (PV) é o pré-candidato a prefeito do bloco formado por PV, PPS e PHS. O ambientalista nega qualquer tipo de aproximação com o governo municipal e diz que mantém sua intenção de disputar a Prefeitura de Bauru, mesmo que venha a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa, onde é suplente de deputado estadual por sua legenda.
Observadores políticos, porém, garantem que há conversas entre esses partidos e o PMDB e uma reunião pode acontecer até o fim dessa semana. O objetivo seria garantir um amplo número de vagas na Câmara Municipal, abrindo possibilidade de negociações junto ao governo.
Renato Purini (PMDB) afirma que não houve qualquer tipo de diálogo, a não ser conversas informais junto ao vereador Moisés Rossi (PPS). “A única intenção era de deixar as portas abertas, pois respeitamos a pré-candidatura do Gazzetta”, disse o presidente do partido do prefeito.
O PP é outra legenda que pode seguir o caminho de Rodrigo no processo eleitoral, após a saída do pleito do ex-prefeito de Agudos, Carlos Octaviani (PP). O partido tem reunião marcada para a manhã do próximo sábado e as eleições estarão na pauta das discussões.
O presidente Roberval Sakai (PP) garante que não há definições a respeito do posicionamento do partido, pois está conversando com todas as siglas. Vale lembrar, porém, que, no final do mês passado, o pepista se reuniu com Renato Purini, Rodrigo Agostinho e Édison Gasparini Júnior, justamente, para discutir alianças eleitorais.