Há exatos 110 anos comemoramos o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Nunca é demais relembrar as inúmeras mulheres que morreram queimadas em 1857, ao realizarem uma greve pela melhoria das condições de trabalho. Muitas são as defesas da origem deste dia, mas o que importa mesmo é a valorização das lutas de todas elas, pois a data não é apenas para comemorar, mas fomentar conferências, debates, reuniões, espaços para defesas de opiniões, cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade. No dia 9 de fevereiro alcançamos uma vitória muito importante em relação à Lei Maria da Penha, quando o Supremo Tribunal Federal votou pela alteração na Lei, estabelecendo que o agressor pode ser processado mesmo sem a queixa da vítima. Contempla ainda duplamente, pois garante a constitucionalidade da Lei e tira a responsabilidade somente da mulher, que muitas vezes não tem coragem de dar prosseguimento à denúncia, por conta da retaliação que pode sofrer pelo agressor. É extremamente importante que tenhamos noção do avanço deste ato, queremos ver as mulheres mais protegidas dos agressores, agora podemos dizer que "em briga de marido e mulher, podemos meter a colher".
Viver cada dia com dignidade, independente das adversidades, ocupando espaços de poder e decisão, seja no trabalho, na política ou exercendo o papel de chefes de famílias, isto é o que queremos. Quero desta forma, prestar uma homenagem a Marilucia Mauad, Valceli Martins, Leila Diniz, Eliane de Gramond, Eliza Samudio, Eloá Pimentel, Sandra Gomide, Mércia Nakashima e tantas outras que se foram e também à Maria da Penha pela superação e contribuição a esta luta tão desigual. Quem ama abraça, não mata!
Maria Luíza Carvalho - ex-vice-presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina de Bauru