Tribuna do Leitor

A grande Bauru


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Muito se discute no momento o tema alusivo à falta de espaço para instalação de novas empresas em Bauru, especialmente do setor industrial. A administração municipal alega que não encontra área para poder transformá-la em distritos e ou mini-distritos. Sabe-se que a área urbana de Bauru é pequena e está quase toda ou tomada ou loteada e há muitos espaços não em branco e sim em verde, que significa cerrado. A maioria das áreas disponíveis estão protegidas pela lei de cerrado, criada quando era vereador o atual prefeito Rodrigo Agostinho, autor da mesma em nível local, porém respeitando leis maiores que têm predominância (lei menor não revoga lei maior) e sabe-se que há conflitos quanto ao aspecto. O tema merece maior atenção de nossos edis e até do Ministério Público. Mas vamos ao ponto de Bauru não ter mais espaço para instalação de empresas, especialmente do setor industrial. Pergunta-se: isso é bom ou ruim?

Aí podemos nos remeter a um outro raciocínio, que nos conduz a começar a imaginar um outro cenário e não mais envolvendo apenas nossa Bauru, mas também municípios vizinhos, num raio de 50 km2, tendo aí, Piratininga, Agudos, Pederneiras, Arealva a Avaí. Vai a sugestão: que tal pensarmos a partir de agora numa Grande Bauru, tendo a própria como sede e se procurando entender a vocação de cada município citado, para que se faça um planejamento, contemplando a característica de cada um deles e se concluindo por um planejamento regional, quem sabe até pelo IPURB (Instituto de Planejamento Regional de Bauru).

Voltando no tempo, vamos encontrar um momento em que muito se falou do IPUB - Instituto de Planejamento Urbano de Bauru, que até iria ser criado tomando como base o já existente e fluente em termos de produtividade no município de Curitiba (lá IPUC), criado pelo ex prefeito Jaime Lernner. O assunto morreu na praia e nada mais se comentou a respeito. Talvez tenha sido bom, pois o enterro andou e chegou-se ao momento de se pensar em região micro de Bauru e com elo aos municípios citados. Num segundo momento poderemos levar a proposta para um raio de 100 kim2.

Particularmente não vejo tanto prejuízo o fato de perdermos indústrias para Pederneiras, Agudos e Piratininga. Indiretamente, Bauru ganha, pois afinal sua vocação maior, de comércio, fica cada vez mais fortalecida. Há a questão de geração de empregos e impacto na arrecadação de impostos, mas é chegado o momento de se quantificar tudo e se concluir quanto ao que vem a ser melhor para Bauru e municípios vizinhos, que aos poucos vão se encontrando fisicamente. Grande Bauru, estamos a aproximadamente dez anos para termos uma metrópole ao redor de Bauru e ainda se discute aspectos de instalação de indústria por aqui, com raciocínio de tempos em que indústrias geravam empregos e que hoje estão quase todas mecanizadas. Fica apenas, no raciocínio de agora, o aspecto geração de imposto.

Quero entender que, quanto mais gente trabalhando na região, mais clientes para nosso comércio e aplicação às empresas de serviços aqui instaladas. Na saúde, já se fala num consórcio regional e até projeto tem na Câmara Municipal, no sentido. Complementa-se a proposta, levando-a a outros setores, ou segmentos, ou serviços, ou todos num contexto geral. Sinto que está aí uma ótima tese a ser abraçada pelo Coder (Conselho Regional de Desenvolvimento Regional) e passa-se a palavra para o Ciesp e Sebrae, pois parece que a conta é boa. Quando focarmos de novo o aspecto que se esbarra na lei do cerrado, devemos olhar a região como que voando num planador e conhecendo a vocação dos municípios no entorno de Bauru, montando-se daí uma planilha com todos os seus aspectos. A partir de então, passarmos a promover uma discussão mais técnica do que apaixonada.

Renato Cardoso é publicitário e bacharel em direito

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