Tribuna do Leitor

Minha vida pelo seu sorriso


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Hoje acordei com a luz do sol entrando pela minha janela. Minha mãe me ouviu, chegou ao quarto e me pegou em seus braços, me deu um beijo de bom dia e me levou para a cozinha. Que delícia de café da manhã que ela preparou pra mim. Todos os dias têm sido assim. Acho que a única que consegue entender o que eu preciso é ela. Bom, meu pai também me entende, mas mãe é mãe! Lembro-me da época de escola, foi difícil arrumar um lugar para eu estudar. Ninguém me queria. Achavam que eu era muita responsabilidade. Eu cansei de ver lágrimas escorrendo sobre o rosto de minha mãe naqueles momentos difíceis, mas eu, até então, não as entendia.

Sempre brinquei no quintal de casa, adorava me sujar. Um dia vi uma borboleta linda, me apaixonei por suas cores e pela maneira como voava. Eu estava sozinho no quintal, minha mãe se distraiu um pouco com os seus serviços domésticos, foi quando tentei pegar a borboleta e cai no chão. Machuquei-me todo. Minha mãe, coitada, como dei trabalho a ela. Eu sempre sorria quando a via chegar. Acho que esses meus sorrisos que lhe davam força. Tudo era difícil para mim, aliás, tudo continua sendo difícil. Não sei fazer nada sem a minha mãe estar ao meu lado. Às vezes, não entendia por que ela chorava, mas sentia sua tristeza e chorava junto. Tudo me fazia ficar feliz. Tudo era festa. Quando eu pintava os desenhos que eu mesmo rabiscava, quando minha mãe me dava banho e eu lá, com os meus barquinhos na água. Um brincando de molhar o outro. Uma vez fomos à praia e, com ajuda de meus pais, fiz meu primeiro castelo de areia. E aquelas ondas então, foram simplesmente inesquecíveis. Minha mãe sempre teve muita paciência comigo, desde os pratos de comida que eu cansava de derrubar no chão, até a barba que eu preciso fazer nos dias de hoje.

Neste momento, minha aparência é de adulto, sim, mas continuo da mesma forma que era antes. Minha mãe continua tendo as mesmas responsabilidades de sempre. Às vezes gostaria de nem ter nascido, assim ela poderia ter uma vida normal. Poderia ter estudado, ter se dedicado mais ao trabalho, ao meu pai e a si mesma. Não tive escolha. A vida é assim. Não escolhi ter problemas de oxigenação na hora do meu parto, mas decidi continuar vivendo e assim vou fazer, não por mim, mas por minha mãe. Por tudo o que ela fez e continua fazendo por mim. Foi aos sete anos de idade que consegui dizer a minha primeira palavra: Mamãe! Isso pra ela já valia tudo o que ela tinha sofrido por mim, as noites sem dormir, o cansaço de pedir ajuda em porta em porta e a sua indignação pela forma com que as outras pessoas me olhavam. Não tenham dó nem medo de mim. Não sou de vidro nem vou quebrar. Sou uma pessoa normal. Apenas tenho dificuldades, e quem não tem?

Existem pessoas que acham que estão cheias de problemas sem soluções, que querem desistir da vida, que se desanimam fácil diante das dificuldades, que não lutam pelo que querem com medo de fracassarem. Fracos e pobres de espírito esses. Eu não tenho medo de enfrentar minhas limitações que, vão desde pegar um garfo até segurar um copo de água. Eu consigo, me esforcei e me esforço para isso. Não tenho medo de cair nem de me decepcionar. Não coloco a culpa em ninguém por eu ser assim, muito menos em Deus. Compreendi que o meu nascimento foi fundamental para o crescimento e o fortalecimento de muitas pessoas, principalmente desta grande mulher que eu chamo de mãe. Ela nunca se formou em nada, mas o diploma de guerreira, isso ela já ganhou há muito tempo. Só tenho que agradecer esta grande mulher que deixou de lado a própria vida para viver a minha. Obrigado por tudo, minha grande mãe. Mais uma entre tantas que dedicam a sua própria vida pela felicidade e o bem-estar de seus filhos. Obs: História fictícia.


Bruno Freitas, jornalista

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