Polícia

Fim: ossada é de Fernanda Tripodi

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Foi dado um passo bastante importante para solucionar um mistério que ronda Bauru há mais de dois anos. Por meio de exame de DNA, ficou confirmado que a ossada humana encontrada em outubro do ano passado é da vendedora Fernanda Tripodi, desaparecida em 2

9. Com a identidade confirmada, o marido da vítima, Roberto Fagundes, 44 anos, que já era procurado pelo sumiço de Fernanda, passa a ser o principal suspeito de homicídio.

 

Na ocasião do desaparecimento, em 17 de dezembro de 2

9, Fernanda tinha 26 anos. Mãe de dois filhos - hoje com idades de 6 e 11 anos -, a vendedora de roupas sumiu após sair de sua residência. Quase uma semana depois, o veículo dela foi localizado com grande quantidade de sangue no porta-malas, o que ampliou as suspeitas de assassinato (leia mais abaixo).

 

O mistério que parecia longe de um possível desfecho teve uma luz em outubro do ano passado. Mais precisamente no dia 16, duas mulheres encontraram um esqueleto próximo ao Esquadrão da Vida, localizado no quilômetro 16 da estrada municipal Bauru-Santelmo. Perto do local, havia uma placa com os dizeres “Aki uma cavera di gente 5 metros”.

 

A ossada foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) que, por meio de exames antropométricos (responsáveis por apontar o sexo, idade estimada, estatura e até a cor da pele da vítima), apontou um trauma grande no crânio, provavelmente resultado de fortes golpes. Além disso, os testes apontaram grandes possibilidades de os restos mortais serem de Fernanda Tripodi. Entretanto, a confirmação final só ocorreu agora.

 

Segundo o que a reportagem do Jornal da Cidade apurou, a identidade foi comprovada por meio de um exame de DNA feito no Instituto de Criminalística (IC), em São Paulo. Os laudos com a confirmação já estariam, inclusive, com a Polícia Civil. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) foi procurada ontem, entretanto, disse que não iria se manifestar naquele momento sobre o caso.

 

De acordo com fontes ouvidas pelo JC, o material biológico encontrado na ossada foi comparado com o DNA da mãe e da irmã de Fernanda Tripodi. O resultado, com precisão maior do que 99%, não deixa dúvidas: trata-se da vendedora desaparecida em 2

9.

 

 

 

Principal suspeito

 

Agora, com a identificação da ossada, o que era provável homicídio se tornou certo. Com isso, espera-se que o próximo passo para o desfecho do mistério seja a localização e captura do principal suspeito do crime: Roberto Carlos Fagundes.

 

Na época do sumiço da esposa, Fagundes, 44 anos, chegou a dar entrevista ao JC contando detalhes do dia em que ela desapareceu. Pouco tempo depois, as investigações deram grande reviravolta e o colocaram na posição de suspeito número um do crime. Ele chegou a ter a prisão decretada, porém, conseguiu fugir.

 

Na ocasião, a família da vendedora disponibilizou até fotografias de Fagundes para tentar localizá-lo. Bastante abalados, os familiares chegaram a dizer que a vítima relatava “viver um inferno”, porém, alegaram desconhecer a motivação do suposto crime. Até hoje, o suspeito continua foragido.

 

 

 

Relembre o caso

 

17 de dezembro de 2

9. Na versão de Roberto Carlos Fagundes, a esposa, Fernanda Tripodi, sai de sua casa, localizada no Núcleo Nova Bauru, com o Gol 2

6 da família. O marido ainda declara que ela levava mais de R$ 4 mil, dinheiro que seria depositado em duas agências bancárias.

 

Pela quantia que não fora depositada, as suspeitas logo recaem para latrocínio. Hipótese que se amplia poucos dias após o desaparecimento, quando o veículo da vendedora de roupas foi localizado próximo à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Núcleo Mary Dota com bastante sangue no porta-malas.

 

Logo, porém, quem aparentemente sofria com o caso passa a ser o principal suspeito. As investigações viram o foco para Fagundes. Os indícios são tamanhos que sua prisão preventiva é decretada. Antes que fosse capturado, entretanto, o homem foge. Tanto ele quanto a esposa nunca mais foram vistos. Até agora.

 

 

 

Coração de mãe

 

Logo que a ossada foi localizada em outubro do ano passado, a mãe de Fernanda Tripodi, Antônia Maria de Oliveira Tripodi, 55 anos, disse que seu “coração materno” tinha certeza que se tratava da filha. “Pedi tanto para Deus acabar com essa angústia. Mas, agora que eu acho que chegou a hora, eu não queria saber, na verdade”, declarou.

 

Entretanto, com a confirmação do exame de DNA, a mulher, que cuida dos dois filhos do casal, finalmente se deparou com a temida verdade. 

 

Na mesma ocasião em que declarou seu “sentimento de mãe”, ela aproveitou para fazer um apelo à polícia: “a única coisa que quero é que ele (Roberto Carlos Fagundes) e os outros envolvidos sejam presos”.

 

Na época, o delegado Kleber Granja afirmou que as buscas continuavam e que não havia dúvidas de que o marido de Fernanda era o principal suspeito. 

 

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