Não tem jeito. Passa ano e sai ano o desempenho da economia brasileira continua semelhante ao voo da galinha (que, por sinal, não voa). Em 2010, o crescimento do Produto Interno Bruto bateu os 7,5%, e os números referentes ao ano passado nos remeteram ao pífio 2,7%. Evidentemente que 2011 foi marcado pela segunda onda da crise internacional, entretanto, outros países considerados emergentes não observaram quedas tão significativas. O consumo interno continua segurando o bom desempenho: cresceu 4,1% no ano passado, compensando quedas nos outros setores da economia, notadamente do setor industrial.
Lamentar o resultado do ano passado não mudará o estado de coisas, contudo, entender a dinâmica da economia brasileira e atacar suas fragilidades, isso sim poderá mudar o nosso futuro. O crescimento sustentado, característica de países desenvolvidos, se dá com melhoria nos estoques de recursos. Capital intensivo e de longo prazo, infraestrutura compatível com a dimensão do mercado interno, mão de obra qualificada, são algumas das bases para que efetivamente ocorra essa sustentação.
Ainda há desafios estruturais que são tão alardeados e nada é feito, como as reformas administrativa do Estado, fiscal, do Judiciário, trabalhista, previdenciária, entre outras. O atual governo, mesmo tendo como resultado o baixo desempenho em seu primeiro ano de mandato, tem sinalizado que é possível reverter parte deste quadro. Tem intenção de, via austeridade fiscal, afrouxar a política monetária. Discursa atualmente que prioridade é o crescimento. Possui instrumentos eficazes para gerar riquezas, chegando inclusive à renúncia fiscal. Mesmo com ações pontuais é possível garantir crescimento ao país. Mas não é mais permitido fugir dos problemas estruturais. Neste sentido é preciso ter uma agenda mínima que contemple ações conjuntas alicerçando o nosso futuro.
São desafios manter o emprego e a ascensão social observados nestes últimos anos, e com isso permitir o avanço em qualidade de vida da população. Os números de 2011 devem servir de alerta para que haja uma mudança no rumo das coisas. Não é possível continuar aceitando o voo da galinha.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC