Polícia

Acusado de estupro é morto no CDP

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Um homem acusado de estuprar o próprio filho foi cruelmente assassinado dentro de uma cela do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. O corpo do operador Wellinton Leite da Silva, 33 anos, foi encontrado por agentes de segurança dentro do banheiro da cela, por volta das 23h1

de anteontem. O detento Marciano Ribeiro Araújo, 33 anos, confessou o crime e foi autuado em flagrante.

 

Ainda não há evidências de que o homicídio tenha ocorrido como forma de represália pelo fato de Silva responder por estupro. Segundo a versão do assassino, que já estava preso provisoriamente por homicídio, a agressão foi uma reação por ele ter flagrado o companheiro de cela se masturbando ao seu lado.

 

Silva sofreu ferimentos profundos na cabeça provocados por um rodo de limpeza e cortes no pescoço após receber golpes com uma lâmina de barbear. Além da vítima e do réu confesso, estavam na cela Ronei Adilson Alves, 19, Daniel Rosa, 31, e outros dois presos que, preliminarmente, não são suspeitos de envolvimento com o crime. 

 

A polícia não descarta, no entanto, que Alves e Rosa também tenham participado das agressões. Eles declararam que o crime ocorreu depois de Silva se masturbar ao lado de Araújo, com quem dividia a mesma cama. 

 

O convite para dormirem juntos, inclusive, teria partido do próprio assassino, momentos antes do crime. Para não passar a noite no chão, Silva teria aceitado a proposta. 

 

Mas, quando todos já estavam dormindo, Araújo teria sido surpreendido pelo comportamento inesperado do colega. A versão do homicida, entretanto, ainda terá de ser comprovada. Se condenado, ele poderá cumprir de 12 a 3

anos de prisão.

 

Segundo o delegado assistente da Delegacia Seccional de Bauru, Eron Veríssimo Gimenes, as investigações, a partir de hoje, ficarão sob responsabilidade do 1º Distrito Policial (DP). “Todas as providências legais na cena do crime já foram tomadas. Agora, será feito todo o trabalho para o melhor esclarecimento das circunstâncias do homicídio”, pontua. 

 

Conforme o JC apurou, teriam se passado mais de três horas desde o início da briga até a constatação da morte do detento. Cogitou-se, inclusive, a hipótese de tortura, o que não foi confirmado pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

 

 

 

“Código de ética”

 

Embora, pelo “código de ética” dos presídios, um acusado de estupro sempre esteja vulnerável a represálias, não há uma recomendação expressa na legislação para que este tipo de preso não divida cela com detentos que tenham cometido outros tipos de crime. Segundo a norma, devem ficar recolhidos no chamado “seguro” (cela isolada dos pavilhões) os detentos ameaçados de morte. 

 

A determinação, entretanto, é genérica e não detalha que, necessariamente, o local deva ser reservado a acusados de crimes sexuais. “Geralmente, um acusado de estupro só vai para o seguro se pedir, quando chega ao presídio”, revela uma fonte ligada ao judiciário, que preferiu não se identificar.

 

Silva estava preso há pouco mais de um mês, depois de ser acusado de praticar sexo oral e anal com o filho de 6 anos de idade, no município de Sabino (137 quilômetros de Bauru). De acordo com a Delegacia de Polícia da cidade, ele também respondia a inquérito por estuprar uma enteada, também menor de 18 anos, em maio do ano passado. 

 

Na época, ele negou as acusações. Detido em Lins, onde trabalhava como operador, ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Promissão. Na unidade, permaneceu separado dos demais detentos até ser transferido, dias depois, para o CDP de Bauru, onde acabou sendo morto.

 

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