É uma pena abrir o jornal e ver que um espaço reservado à pessoas que querem dizer alguma coisa importante seja usado para mostrar repulsa, preconceito, machismo e incentivo ao bulling. Como pode uma pessoa se denominar "normal" só porque tem uma família formada por mamãe, papai e filhos. Quer dizer que filhos de pais separados são anormais? Mães solteiras e tantas outras composições familiares que hoje vemos são formadas por anormais?
Quem é "normal" tem o direito de aprovar ou desaprovar a vida do "anormal"? Essas pessoas são a escória da sociedade? Não estou defendendo ou criticando a opção sexual de ninguém. O que quero dizer é que todos somos seres humanos e que as diferenças de etnia, classe social e opção sexual não deveriam ser questionadas, pois essas e outras diferenças nos tornam seres humanos. Não somos bonecos fabricados em série. Somos pessoas independente de qualquer diferença. Todos nós temos o direito de fazer nossas escolhas, sejam elas quais forem, desde que não prejudiquem ao próximo. Estas devem ser baseadas em ética e não em preconceito.
O que mais fere, causa traumas e até leva à morte atingindo não somente uma pessoa mais também a sociedade é ser preconceituoso e incentivador deste ou ser gay e tocar a própria vida, querendo apenas o respeito que lhe é devido? Fico feliz em saber que, em meio a tanto preconceito, bulling e incentivo explícito à violência, um gay consegue declarar que se sente bem, pois, com isso, posso acreditar que a mentalidade cruel da sociedade está mudando. Acredito que ninguém acorda certa manhã decidido a deixar de ser hetero, a provocar a ira de pessoas "normais", a enfrentar os preconceituosos que se esquecem que, antes de qualquer coisa, ela uma pessoa e tem o direito à vida. E essa independe da opção sexual.
O princípio ético é pautado no respeito e valorização da vida e não em o que eu aceito ou não para a vida do outro. Pais, mães, irmãos e qualquer outra pessoa que tenham em sua família uma pessoa com opção sexual diferente da sua não se esqueçam nunca de que essa pessoa é uma vida e a única coisa que ela precisa é do seu respeito.
Se a nossa sociedade não fosse tão preconceituosa muitos gays não precisariam se prostituir para garantirem seu sustento e pagar seus impostos, não se exporiam ao perigo e à violência todas as noites. Teriam empregos como os "normais". Muitos jovens evadem das escolas por não suportarem o preconceito dentro desta que deveria ser a primeira a combater. Outros não cometeriam o suicídio devido a tamanha angústia e dor diante da crueldade humana. Até um assassino tem o direito de se restabelecer na sociedade, tem o direito a uma segunda chance, então por que uma pessoa tem que ser tão massacrada por apenas ser gay? Então peço aos "normais" que repensem quando for fazer um julgamento a este respeito, pois nem a mais terrível das suas angústias se comparam a essa dor sofrida por estes que querem apenas viver como qualquer outra pessoa.
Gilmara Marques Said