O Ministério da Educação (MEC) informou que o piso salarial do magistério tem que ser reajustado em 22,22% para 2012, conforme determina o artigo 5.º da Lei 11.738, de 16 de junho de 2008, aprovada pelo Congresso Nacional. Segundo a nota do MEC, o novo valor será de R$ 1.451,00. No primeiro momento, parece um avanço grandioso o benefício concedido e digno de ser comemorado. No entanto, a Constituição Federal, em seu Art. 7.º, inc. V, o qual determina e garante o piso salarial, ainda não está sendo cumprida no magistério brasileiro.
A educação em nosso País não é mais como antigamente. Está desesperadamente pior, infelizmente. Houve uma época em que o professor tinha a mesma importância e respeito que um juiz. Era admirado e reverenciado por todos e tinha condições de andar de carro zero quilômetro, pois possuía uma remuneração digna e merecida.
Hoje, ser professor é um desafio e um prazer aceito por poucos. A começar pelo salário, muitos direitos foram suprimidos e muitos deveres acrescentados. Além do trabalho extraclasse realizado nos fins de semana (correção e preparação de provas, trabalhos, planejamento...), o educador do século XXI exerce o papel de psicólogo, médico, enfermeiro, pai, mãe, mestre em defesa pessoal e artes marciais, etc, além das atribuições inerentes à sua matéria.
O professor exerce uma função social de alta complexidade, lutando pela sobrevivência da cultura e do saber em condições nem sempre favoráveis. Se o piso salarial é proporcional à extensão e à complexidade do trabalho, como assegura nossa Carta Magna, o novo piso salarial do magistério está longe, mas muito longe, do ideal.
Chega de salário baixo e indigno. Todas as profissões e pessoas passam pelos professores, os quais formam o sustentáculo do País e, por isso, deveriam ter a carreira mais bem paga. Afinal, os representantes do povo legalmente constituídos ganham, cinicamente e com uma facilidade impressionante, aumentos estrondosos, o que é aviltante e lamentável.
Haniel Martins da Costa - professor e servidor público