“Segunda-feira tem eleição para presidente da Câmara...”. Talvez com uma pitada de exagero, mas o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) pode ter previsto o clima da sessão legislativa bauruense de hoje, quando comentou a formalização do apoio do PP à campanha para sua reeleição em 2
12.
Isso porque o presidente da Câmara e do novo partido governista, Roberval Sakai (PP), foi eleito e mantido no posto de chefe do Legislativo pelos partidos de oposição.
É claro que o pepista não terá como voltar atrás em relação ao alinhamento eleitoral. No entanto, é quase certo que os vereadores que se opõem à administração poderão cobrar a fatura de Sakai, principalmente nas votações importantes que dividem os dois grupos na Câmara.
Apesar dos sinais – cada vez mais evidentes – de que o PP migraria para a base de sustentação, como no voto favorável de Roberval ao refinanciamento da dívida da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), os oposicionistas estavam medindo as críticas ao presidente. Agora, com a concretização do apoio do partido que tem duas cadeiras no Legislativo a Agostinho, vereadores podem endurecer as críticas contra Sakai, apontado por alguns como um parlamentar que transita com facilidade entre os dois campos antagônicos da atual política municipal.
Setores oposicionistas cogitam até o esvaziamento da Mesa Diretora, composta, além de Sakai, por Moisés Rossi (PPS) como vice-presidente, Natalino da Pousada (PV) como primeiro secretário e José Roberto Segalla (DEM) como segundo secretário.
Sem qualquer um dos membros na Mesa, as sessões legislativas ficam inviabilizadas. Foi justamente esse o problema enfrentado por Sakai em maio do ano passado quando oposição e situação, ambas insatisfeitas com sua postura, nem quiseram indicar nomes para suprir o primeiro desligamento de Segalla. O impasse foi solucionado por acordo costurado por Marcelo Borges (PSDB), à época.
Olho na urna
Além do episódio de Sakai, Bauru teve uma semana quente na política, com o crescimento dos indícios de que PV e PPS podem também partir para a base governista, mirando as eleições de outubro.
No Legislativo, porém, isso não surte muitos efeitos, pois Natalino sempre se comportou como vereador da base, sendo, inclusive, um dos com mais pedidos atendidos pelo prefeito.
Outro fator que causou burburinhos foi o estremecimento entre a cúpula do DEM e o PSDB após as declarações de Chiara Ranieri (DEM) e Dudu Ranieri (DEM) refutando apoio do partido à pré-candidatura de Elizeu Eclair (PSDB). No entanto, a boa relação entre a parlamentar e Marcelo Borges (PSDB), presidente tucano no município, não deve sofrer impactos.
A pauta
A sessão legislativa de hoje não tem projetos de grande impacto na pauta. Os vereadores deverão votar a concessão real de uso de áreas distritais para duas empresas: Souzinca – Indústria e Comércio de Galvanoplastia Ltda. ME e WFB – Comércio, Importação, Exportação e Representação Ltda.
O tema pode gerar discussões em razão da escassa disponibilidade de áreas voltadas para a indústria no município.
O esgotamento de lotes nos Distritos Industriais tem chamado a atenção dos vereadores para os critérios adotados para as concessões.
Também serão votados o remanejamento de orçamento em favor da Secretaria municipal do Bem-Estar Social e o repasse de recursos do Fundo Municipal de Esportes para programas desenvolvidos pela Associação Atlética FIB e pela Associação Bauruense de Desportos Aquáticos.
Transparência
Os vereadores deverão votar ainda projeto de autoria de Paulo Eduardo de Souza (PSB), que tem com o objetivo garantir a fiscalização de órgãos e autarquias do poder público municipal pelas entidades da sociedade civil.
A proposta foi barrada pela Comissão de Justiça, Legislação e Redação, sob a alegação de que os mecanismos propostos já são previstos pela Constituição Federal. No entanto, o parecer do grupo foi derrubado pelos demais vereadores em plenário e, agora, será avaliado em seu mérito.