Me deparei na coluna do leitor com duas cartas que discutem a retomada da discussão da casa do Pelé. E tome cassetada no Pelé sempre que seu nome vem a tona. É Pelé não tá nem aí para Bauru e coisas deste tipo. Pois bem, lembro aos mais critícos que nesta mesma coluna, li, há alguns anos, uma carta de outro Edson , médico e amigo de Pelé; Ele narrava um episódio que poucos sabem ou se fazem não saber. Nos idos de 1962, Pelé, juntamente com este amigo e namoradas, foram barrados na porta do BTC. Por quê? Pode-se imaginar uma pessoa com o Pelé, já bi-campeão mundial de futebol sendo barrado no BTC por mera questão de pele? Num clube que hoje foi tombado pelo patrimonio histórico de Bauru. Esta história, com certeza, o Pelé não deve ter esquecido, o que faria jus de o Pelé não estar nem aí para Bauru. O que não é o caso. Recentemente, estive com Julinho, vocalista do Sereno, e o mesmo me relatou ter encontrado Pelé num cruzeiro e, ao dizer a ele serem integrantes do grupo de Bauru, Pelé ficou eufórico. Em 1975, Pelé esteve na cidade com muita boa vontade e sem receber nada para reeditar uma final dos seus tempos de Bauru. Eu estive lá. Meu pai também participou, jogando no time adversário. Fomos recepcioná-lo no aeroporto e tal. Ele foi simpático e atencioso com todos. Ainda ecoavam as suas façanhas da Copa de 70 e era o seu auge no Cosmos. Pelé desceu de sua realeza e agiu como aquele menino de Bauru, reconhecendo todos os amigos. O BTC hoje é tombado pela história. E o BAC? Não foi um atentado à nossa história a sua derrubada? Não acham que deveria ter sido tombado também? Duvido que não haveria seleção que não quisesse treinar ou mesmo pisar no gramado em que o maior de todos os tempos do futebol começou a sua carreira. Certamente, seria uma cartada definitiva para Bauru nesta briga para abrigar algum país durante a Copa .
Quanto à casa do Pelé ainda não tomei ciência do assunto, mas devemos fazer de tudo para tê-la em Bauru. Não podemos perder mais esta parte da história e, independentemente das picuinhas, que são muito pequenas diante da história do Pelé, Bauru só tem a ganhar. Não há futuro sem passado.
Marco Zambon