Os apreciadores de música em Bauru terão um raro privilégio a partir de hoje, quando um encontro sonoro diferente entre viola caipira, saxofone e contrabaixo acústico trará a Bauru um dos maiores saxofonistas do Brasil, Mané Silveira, que fará duas apresentações, hoje e amanhã, com início às 2
h, no Teatro Municipal.
A primeira apresentação, nesta terça-feira, contará com o grupo “Trilobita”, formado pela união do saxofone de Mané Silveira com a viola caipira do destacado multi-instrumentista Ricardo Matsuda e pelo contrabaixo acústico do “internacional” músico brasileiro Fernando Demarco.
No repertório, composições inéditas de Mané Silveira e Ricardo Matsuda, como “A Volta de Saturno” e “Trilobita”, entre outras, vão promover um diálogo interessante com a tradição das modas de viola, chacareiras e rasqueados, numa mescla com o jazz e com a música instrumental contemporânea.
E amanhã, também às 2
h, é a vez da apresentação do “Mané Silveira Quinteto”, que terá a participação de Felipe Silveira ao piano, Zé Alexandre no contrabaixo acústico, Cleber Almeida na bateria e também Ricardo Matsuda na viola caipira e violão.
Mané Silveira, que também é instrumentista, arranjador e compositor, é um dos mais importantes saxofonistas do Brasil. Desde a década de 8
, constroi uma das mais sólidas carreiras desse popular instrumento, o sax. Em 2
1
, lançou seu CD autoral mais recente, “Mané Silveira Quinteto”, pela Kalamata, selo independente de Campinas (SP), que desde 2
5 lança intérpretes, compositores e arranjadores com ênfase na música instrumental, popular e erudita.
Em entrevista ao site “Músicos do Brasil/Uma Enciclopédia”, Mané Silveira é descrito como um típico representante da geração de instrumentistas que surgiu na música paulista e brasileira no final dos anos 197
. Músicos versáteis, inquietos, capazes de abraçar diversos projetos. Este é um dos motivos de a lista dos músicos com quem tocou e que mais o influenciaram seja extensa e variada.
“Todos os colegas e amigos músicos que fui encontrando pelo caminho foram importantes, de uma forma ou de outra. A convivência, a troca de ideias, o entusiasmo, a paixão pela música instrumental, pelos nossos ídolos, tudo isso faz com que você vá amadurecendo. Desde o início, participei de vários grupos. Sou grato a todos eles”, definiu o músico na entrevista.
Por dentro do projeto
As apresentações dos dois grupos fazem parte do projeto “Subindo na Árvore”, que visa promover um “mergulho” na genealogia musical brasileira – a árvore evolutiva dos estilos da nossa música. “A ideia é traçar um painel evolutivo da música brasileira e mostrar ao público as raízes e a trajetória de influências diversas dessa ‘árvore’ tão rica de sonoridades e ritmos”, resumiu Mané Silveira.
No repertório, composições dos integrantes dos dois grupos, que expressam toda essa gama de diversidade da música instrumental. “Nesse sentido, também é um projeto que prioriza o compositor brasileiro de música instrumental”, detalhou o saxofonista.
Além disso, acredita o músico, com a mistura pouco comum de viola caipira com saxofone e contrabaixo acústico, o projeto também transforma o “combo típico” de música instrumental brasileira formado, geralmente, por baixo, bateria, guitarra e piano. A ação foi idealizada pelo saxofonista Mané Silveira e tem apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo por meio do Programa de Ação Cultural (Proac).
Serviço
Hoje, às 2 h, apresentação do grupo Trilobita. Amanhã, às 2 h, “Mané Silveira Quinteto”. As apresentações são gratuitas no Teatro Municipal (av. Nações Unidas, 8-9).