Funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru realizaram na manhã de ontem os últimos ajustes para a entrega do prédio no bairro Higienópolis, desocupado em agosto do ano passado. Após uma reestruturação, que demorou cerca de cinco anos, a Administração Executiva Regional (AER) foi transferida para outra cidade. Em Bauru, a diminuição do efetivo e perda de autonomia administrativa transformaram o órgão em Coordenadoria Técnica Local.
A representação da Funai, que por oito anos esteve localizada na quadra 8 da rua Xingu, funciona atualmente em uma casa na quadra 16 da rua Gerson França, no Centro. Detalhes que ficaram para trás como a pintura, retirada de divisórias, objetos e móveis para a entrega do prédio locado há anos pela fundação estão em fase final.
Em 2
11, uma reestruturação da Funai na região, que se arrastava desde 2
7, transferiu a gestão administrativa da fundação para a cidade de Itanhaém (SP). A transferência atendeu, na época, à reinvindicação da população Guarani, maioria no Estado.
Com a mudança, o administrador da ERA, Amaury Vieira, assim como metade da equipe do órgão em Bauru - que antes era formada por 22 funcionários - foi para o Litoral.
Ainda no período de transição, a sede da Funai no Higienópolis tomou forma de um Núcleo de Apoio ao Índio, passando, logo depois, a ser Coordenadoria Técnica Local, conforme explica o funcionário Emílio Pereira Barbosa, substituto da coordenação regional na cidade.
“Tupã (SP) era subordinada a Bauru, e agora também terá o trabalho de coordenação local. Apesar de terem as unidades, tanto a Funai de Bauru quanto a de lá estão subordinadas à sede administrativa em Itanhaém”, reforça Barbosa.
Sem autonomia
A Administração Executiva Regional em Bauru funcionou por cerca de 3
anos. O escritório era responsável pela assistência de quase seis mil índios em aldeias de São Paulo e no Rio de Janeiro. Somente no Interior paulista são cerca de 1,5 mil índios nas regiões de Avaí, Tupã Braúna e Itaporanga.
Serviços ligados aos benefícios da Previdência Social, apoio técnico da implantação de atividade produtiva, apoio à educação e à comunidade indígena em geral são realizados hoje de modo subordinado pela sede de Itanhaém.
Adriano de Lima é líder de uma das comunidades indígenas localizadas na aldeia de Araribá, no município de Avaí. Para ele, a transformação da Funai é apenas mais uma “manobra de redução do poder” e do espaço dos índios na sociedade.
“Essa mudança aumentou a distância do nosso grito. Um pedido que fazemos aqui é enviado para Itanhaém, e só depois para Brasília. Assim fica difícil conseguir tudo o que precisamos para viver, como por exemplo, os implementos agrícolas”, pontua.
A comunidade de Tereguá, comandada por ele, possui 3
famílias e uma área de aproximadamente 78 alqueires. Plantações de mandioca, batata doce e abobrinha são algumas das principais fontes de renda dessas famílias.
Exoneração
Em novembro de 2
11, completando o quadro das mudanças preparadas para a Administração Executiva Regional (AER) da Funai de Bauru, Anildo Lulu, cacique da aldeia de Tereguá, em Araribá, foi exonerado do cargo. Ele representava os índios da região junto ao órgão.
Em agosto de 2
9 ele liderou um movimento que impediu que a AER perdesse autonomia financeira. Apesar do esforço, o desmembramento transformou a repartição pública federal em Núcleo de Apoio e, depois, em Coordenadoria Técnica Local.
Lulu e outros indígenas tomaram o escritório por dois dias e mantiveram cinco reféns, entre eles o administrador Amaury Vieira. No comando da Coordenadoria Técnica Local, enquanto um titular não é nomeado pela Funai, atua interinamente o substituto de Lulu, Emílio Pereira Barbosa.
Serviço
A Coordenadoria Técnica Local da Funai em Bauru funciona na rua Gerson França 16-31. O telefone é (14) 3234-1735.