Auto Mercado

Freadas normais e em emergência

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini
| Tempo de leitura: 4 min

Na semana passada recebi um artigo enviado pelo presidente nacional do Moto Clube Bodes do Asfalto, do qual faço parte, descrevendo diversas situações de frenagens com motocicletas. Percebi que o assunto, muito bem escrito por sinal, também se estenderia aos automóveis, com algumas alterações óbvias. O tema é bem atual, e passo a emitir meus comentários a seguir.

Muitos acreditam que o que breca um veículo, seja ele uma moto ou um carro, são os freios. Errado! Os freios apenas travam as rodas, mas quem realmente para o veículo é o atrito entre o pneu e o solo. Parece óbvio, mas é aí que reside toda a diferença no conceito de frenagem eficiente. Não adianta nada travar a roda se o pneu deslizar no chão.

Com este princípio em mente, podemos definir qual o padrão de frenagem que precisamos para cada aplicação. Vamos imaginar que usamos nosso veículo no asfalto, portanto precisamos de um pneu que tenha um ótimo grip (ou agarramento) neste piso. Nos automóveis, os pneus de alto desempenho em asfalto têm ranhuras menos profundas e bandas de rodagem mais largas. Nos carros de rua, os pneus são mais estreitos e com ranhuras maiores, para melhor escoamento de água de chuva e aumento de vida útil do pneu. No caso de motos, o pneu deverá tem a banda de rodagem mais lisa feita de um composto de borracha mole e aderente para aumentar a aderência, com pequenas ranhuras para escoamento de água de chuva.

Mas se a intenção for usar o veículo em piso de terra, as características mudam completamente. Os carros deverão ter pneus com ranhuras bem mais profundas e desenho agressivo (o tal de "biscoito") para aumentar o grip, de forma a cavoucar a terra até obter firmeza suficiente para sair do buraco. Já nas motos é quase o mesmo conceito, usar um pneu com mais "biscoito" na terra dá mais aderência à moto, mas é ruim no asfalto.

Então, onde entra a importância do freio nesta história? Como para cada tipo de uso haverá um tipo de exigência e compromisso técnico entre pneu e solo, o freio deverá ser dimensionado de forma a prover este tipo de exigência. Por exemplo, em um carro de passeio o freio deverá atuar de forma firme, porém suave e sem trancos para conforto dos passageiros. Já em um carro de corrida, ele deverá ser bem seco e forte, dando um tranco firme nas rodas e permitindo frear mais perto da curva. Como a intenção é ganhar tempo de volta e não a de oferecer conforto ao piloto, a solução é válida. Só que se a freada for muito forte, seja em carros de corrida ou de rua, os pneus poderão travar e "fritar a borracha", o que além de danificar a banda de rodagem do pneu, pelo desgaste irregular que provoca, afetará o balanceamento da roda e principalmente prejudicará a freada. Isto por que o atrito dinâmico é menor do que o atrito estático, ou seja, um pneu rolando sobre um piso (caso de freada normal sem travamento das rodas) freia melhor do que outro deslizando sobre o piso (caso de travamento com deslizamento, conhecido como derrapagem). Portanto, a pressão dos freios sobre as rodas é fundamental para a eficiência da frenagem. Dosando adequadamente a pressão no pedal do freio, teremos uma frenagem ideal. O equipamento ABS (sigla de Anti-lock Braking System) é um sistema eletrônico que lê a rotação de cada roda e, durante uma freada, percebe se uma ou mais pararam de rodar e alivia automaticamente a pressão de freada, permitindo que a roda gire o suficiente para ter um maior atrito com o solo.

No caso de motos vale o mesmo princípio, só que com dois agravantes: primeiro, a área de contato com o solo dos pneus de moto é bem menor do que um pneu de carro, além de serem apenas duas rodas sobre o piso e não quatro. Como a área de contato é fator importante no grip, toda moto já começa freando menos que qualquer carro. Outro fator é que na grande maioria das motos, o freio dianteiro é independente do traseiro, e se não souber usar e dosar a pressão de cada um, será chão na certa. O freio dianteiro é mais eficiente para parar, enquanto que o traseiro serve para reduzir a velocidade e ajudar em manobras. Em emergência, a aplicação dos dois juntos freia melhor a moto, com mais pressão no freio dianteiro e sem permitir que esta derrape. Se forçar demais o pedal do freio traseiro, poderá derrapar de traseira e perder o equilíbrio. Precisa de treino para ter a sensibilidade correta, por isso mantenha distância!

Comentários

Comentários