A cada dia que passa parece que Bauru reencontra o caminho do desenvolvimento que lhe rendeu o apelido de ?cidade sem limites?. A sensação de segurança política, o fôlego de investimentos com recursos próprios da municipalidade e outros tantos fatores parecem se somar e permitem concluir que, tendo em vista os últimos anos de crise - quem sabe as últimas duas décadas - Bauru está entrando novamente no trilho das boas notícias. A própria imprensa mudou de tom ao noticiar alguma novidade do município. Antes, as preocupações da comunidade e especialmente da imprensa local estavam limitadas aos escândalos, déficits, dívidas, sucateamentos e buracos. Agora, os jornalistas parecem aliviar o tom - ainda que em certos momentos tenham que denunciar alguns problemas - e começam a perceber e a noticiar as boas novas de Bauru. O investidor passou a olhar a cidade como um centro médio com potencial e pouco explorado economicamente. Em breve, novas empresas erguerão suas vigas e passarão a oferecer novos postos de trabalho na cidade, com consequente redução do desemprego e aumento da arrecadação o que pode gerar uma melhora nos serviços oferecidos pelo município.
No entanto, certas coisas parecem não mudar com a velocidade em que a cidade vem crescendo. Os investimentos públicos ainda são muito tímidos para o porte da cidade e não conseguem ampliar de maneira suficiente a prestação dos serviços públicos. O que dizer de um departamento de água e esgoto que não consegue nem mesmo distribuir água para a população? Ainda pior é o fato de que o estrago de uma parte pontual da rede de distribuição de água tem como consequência o desabastecimento da cidade inteira. Que tal uma lista de empresas querendo se instalar ou expandir seus negócios na cidade e uma prefeitura que não tem condições de criar novos distritos industriais? Ainda que Bauru esteja nos trilhos do desenvolvimento e ainda que saneados certos vícios políticos das crises que passamos, o chefe da administração municipal tem uma herança política que parece não se desvincular da cidade. O melhor remédio, nesse caso, é ter cautela no comando da cidade, evitando-se o desperdício do dinheiro público e elencando as prioridades da população. Essa fórmula não solucionará os problemas do município, mas ao menos evitará a criação de novos momentos de crise.
O autor, Renan dos Reis M. Chaves, é colaborador de Opinião